Polícia identifica dois estudantes suspeitos de agredir homem em situação de rua em Belém

Ataques teriam se intensificado desde o início de 2026 e incluem arremesso de objetos, jatos de extintor e descargas elétricas; universidade informou afastamento dos envolvidos

14/04/2026 às 11:30 por Redação Plox

Uma moradora da área onde um homem em situação de rua foi atacado com uma arma de choque por dois estudantes de Direito, em Belém, afirmou que agressões contra a vítima ocorrem com frequência e vêm se intensificando desde o início de 2026. Ela relata que grupos de jovens chegam em carros de luxo e praticam violência, com ações como arremesso de bombinhas e garrafas e jatos de extintor de incêndio contra o homem.

Segundo a polícia, os suspeitos foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como autor das agressões registradas em imagens, e Antônio Coelho, que teria filmado a cena. A instituição de ensino informou que ambos foram afastados. O g1 informou que tenta contato com a defesa dos envolvidos.


Estudantes de direito atacam homem em situação de rua com arma de choque em Belém.

Estudantes de direito atacam homem em situação de rua com arma de choque em Belém.

Foto: Reprodução/Redes sociais


Moradora relata ataques repetidos desde janeiro

A mulher, que prefere não ser identificada, disse que as agressões começaram em janeiro. Segundo ela, grupos de jovens vêm gravando vídeos de “trotes” e usando o homem em situação de rua como alvo.

Esse comportamento da vida do morador em situação de rua ser tratado como chacota em vídeo é corriqueiro, vem desde janeiro

Moradora

Ela afirmou ainda que as agressões já foram registradas em boletim de ocorrência. Moradora do bairro há cerca de dez anos, relatou que, na madrugada de 16 de fevereiro, acordou assustada com estrondos que pareciam tiros e viu um carro branco avançando na via. Em seguida, segundo a testemunha, pessoas no veículo jogaram uma garrafa com líquido em direção ao homem em situação de rua.

No dia seguinte, ela disse que os ataques se repetiram de forma ainda mais violenta: os carros teriam voltado, com ocupantes rindo, filmando com celulares e cobrindo o rosto com roupas. Conforme o relato, um rapaz desceu com um extintor de incêndio e direcionou o jato sobre a vítima enquanto outras pessoas registravam a cena.

A moradora acrescentou que o homem em situação de rua tem problemas de saúde mental, mas não costuma causar transtornos com quem não o provoca. Ela contou que a sequência de episódios a abalou.

Prefeitura diz acompanhar o caso e acionar a Polícia Civil

Em nota, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Executiva de Direitos Humanos, informou que acompanha o caso, acionou a Polícia Civil e notificou a instituição de ensino envolvida. No comunicado, a gestão municipal declarou que não compactua com violação de direitos e informou que a pessoa em situação de rua já foi identificada.

Ataque com arma de choque foi em frente a universidade

O homem em situação de rua foi atacado com uma arma de choque em frente a uma universidade particular na avenida Alcindo Cacela. Um dos estudantes foi levado à delegacia e liberado.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram duas ocasiões em que um dos estudantes se aproxima da vítima — que caminhava de costas — e aplica descargas elétricas em pelo menos duas vezes. Nas imagens, é possível ver os dois alunos participando da ação e rindo durante a agressão.

Segundo testemunhas, entregadores de aplicativo que passavam pelo local presenciaram o ataque e tentaram alcançar os suspeitos. Os estudantes correram para dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), e os trabalhadores tentaram seguir, mas não conseguiram entrar após serem impedidos por seguranças na portaria, de forma hostil.

Cesupa afasta estudantes e abre procedimento interno

Em nota, o Cesupa lamentou o ocorrido e informou que adotou imediatamente medidas de colaboração com as autoridades policiais para apuração dos fatos. Segundo a instituição, os estudantes envolvidos foram afastados de suas atividades acadêmicas e foi aberto um procedimento administrativo interno.

A instituição informou ainda que o coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente as providências na delegacia e que o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para a definição das punições cabíveis.

Até a última atualização do caso, não havia informações sobre o estado de saúde da vítima.

Polícia Civil registra ocorrência e diz que caso será investigado

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o suspeito identificado como Altemir Sacramento Oliveira Filho foi apresentado pela Polícia Militar para prestar depoimento na Seccional de São Brás. Um boletim de ocorrência foi registrado e o caso será investigado.

MPF abre apuração e pede investigação criminal

O Ministério Público Federal (MPF) abriu, nesta segunda-feira (13), uma apuração para investigar a denúncia do ataque. A medida foi adotada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Pará, após a circulação dos vídeos das agressões.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Sadi Machado, determinou o envio de um pedido de informações à universidade para onde o suspeito teria retornado após o ataque, com prazo de 48 horas para resposta.

Além disso, o MPF informou que fará uma representação criminal ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que deverá apurar o caso na esfera penal.

Deputada cobra providências na Alepa

Na Alepa, a deputada Lívia Duarte (Psol) enviou ofícios ao MPPA cobrando providências da reitoria do Cesupa e também pediu abertura de inquérito criminal. Ela classificou a agressão como lesão corporal ou tortura, humilhação e aporofobia (preconceito contra pobres).

Nos pedidos, a deputada também solicitou que o MPPA peça imagens do sistema de vigilância do Cesupa e colha depoimento da direção da instituição para obter a identificação dos alunos envolvidos.

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