Alagamentos podem provocar novos casos de dengue no Rio Grande do Sul

Pesquisadores apontam risco elevado devido a chuvas intensas e mudanças climáticas

Por Plox

14/05/2024 18h00 - Atualizado há 15 dias

Apesar de tradicionalmente associarmos a dengue ao calor do verão, o Rio Grande do Sul enfrenta uma situação peculiar. Com as recentes chuvas e alagamentos, as autoridades de saúde estão em alerta, mesmo com a chegada do frio. Cristóvão Barcelos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), destaca que o estado pode vivenciar uma elevação nas temperaturas, fenômeno conhecido localmente como "veranico de maio", que poderia favorecer uma nova onda de casos de dengue.

Segundo Barcelos, o estado já demonstrou sinais de calor fora de época, aumentando o risco de proliferação do Aedes aegypti. “A situação é complicada com a perda de infraestrutura devido aos alagamentos. Sem os serviços básicos, como abastecimento de água e gestão de resíduos, o risco de um surto é real, especialmente se ocorrer uma onda de calor nas próximas semanas”, explicou o pesquisador. Ele ressalta a resiliência dos ovos do mosquito, que podem sobreviver ao frio e eclodir quando as condições se tornam favoráveis.


Foto: Frame EBC

A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul confirma a presença do mosquito mesmo no inverno, indicando que não se pode ignorar o risco. “Embora o inverno seja uma época de menor transmissão, com 468 municípios já infestados e o acúmulo de entulhos pós-alagamentos, precisamos manter a vigilância”, disse a secretaria.

A água parada, resultado dos alagamentos, se torna um ambiente ideal para o mosquito, que não se limita a águas limpas para se proliferar. “Objetos como geladeiras ou pneus, cheios de água, podem se tornar criadouros perfeitos após decantarem e se estabilizarem”, acrescentou Barcelos.

Alessandro Pasqualotto, presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia, também expressou preocupação. Antes mesmo das enchentes, o estado já lidava com uma epidemia de dengue sem precedentes. “Os diagnósticos foram prejudicados pelas inundações, mas esperamos um aumento nos casos com a estabilização das águas”, comentou Pasqualotto.

Até recentemente, a Secretaria Estadual de Saúde reportou 116.517 casos confirmados de dengue, com 138 mortes. Apesar das enchentes, a expectativa é que os casos ainda aumentem. A secretaria e o Programa Estadual de Vigilância e Controle do Aedes aegypti estão focados na orientação aos municípios para identificar e tratar os casos suspeitos prontamente.

Carmen Gomes, técnica do programa, reforça a importância das medidas preventivas. “Recomendamos o uso contínuo de repelente nas áreas de alta infestação, mesmo

 


 

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