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A suspensão de medicamentos como Wegovy e Mounjaro pode ser seguida por recuperação gradual de parte significativa do peso perdido e pela redução de benefícios obtidos na pressão arterial, glicemia e colesterol. Estudos recentes reforçam que esses remédios não devem ser vistos como tratamentos temporários ou interrompidos sem planejamento e acompanhamento médico.
Peso perdido com Wegovy e Mounjaro pode voltar após interrupção, mostram estudos
Foto: Magnific
A semaglutida, princípio ativo do Wegovy, imita o hormônio GLP-1 e atua na regulação da fome e da saciedade. Já a tirzepatida, presente no Mounjaro, age nos receptores de GLP-1 e GIP. No Brasil, ambos possuem indicação aprovada para controle crônico do peso em grupos específicos, associados à alimentação com menos calorias e à atividade física. A obesidade é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, complexa e sujeita a recaídas, que afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.
Uma revisão publicada em 2026 pela revista científica The BMJ analisou 37 estudos, com mais de 9,3 mil participantes. Após o fim do tratamento medicamentoso, a recuperação média foi estimada em aproximadamente 0,4 quilo por mês. A projeção dos pesquisadores indica que o peso poderia retornar ao nível anterior ao tratamento em cerca de 1,7 ano, enquanto alguns indicadores cardiometabólicos tenderiam a voltar aos valores iniciais em aproximadamente 1,4 ano. Os resultados representam médias e não permitem prever exatamente o que ocorrerá com cada paciente.
Um estudo publicado no JAMA Internal Medicine acompanhou 308 adultos que haviam perdido pelo menos 10% do peso após 36 semanas de tratamento com tirzepatida. Um ano depois da substituição do medicamento por placebo, 82% haviam recuperado pelo menos um quarto do peso eliminado. Quanto maior a recuperação, maior foi também a reversão das melhoras observadas na circunferência abdominal, pressão arterial, colesterol e controle da glicemia.
A explicação está relacionada ao funcionamento dos medicamentos. Durante o tratamento, eles diminuem a ingestão de alimentos ao ampliar a saciedade e reduzir o apetite. Quando as doses são suspensas, esses efeitos deixam de atuar, e a fome pode voltar a níveis anteriores. A resposta, porém, varia conforme fatores biológicos, condições de saúde, alimentação, sono, atividade física e ambiente social.
Os pesquisadores destacam que a recuperação de peso não significa que os medicamentos tenham falhado. O fenômeno reforça o caráter crônico da obesidade e a necessidade de definir, desde o início, como será a manutenção dos resultados. O planejamento pode envolver continuidade do medicamento, troca de tratamento ou outras medidas clínicas e comportamentais, sempre avaliadas individualmente por um profissional de saúde.
No Brasil, o Mounjaro é indicado para adultos com obesidade ou para pessoas com sobrepeso e pelo menos uma condição associada, como hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2. Desde junho de 2025, a venda de medicamentos agonistas de GLP-1 exige receita em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta contra o uso indiscriminado das chamadas canetas emagrecedoras, especialmente sem necessidade clínica ou acompanhamento profissional. A agência também recomenda atendimento imediato diante de dor abdominal intensa e persistente, acompanhada ou não de náuseas e vômitos, devido ao risco de pancreatite. Pacientes que pretendem interromper o tratamento devem conversar com o médico responsável para avaliar os riscos e estabelecer uma estratégia segura de acompanhamento.