Traficante do CV paga R$ 24 mil por cirurgia fora do SUS

Mesmo com direito à gratuidade judicial, chefe do Comando Vermelho optou por hospital de luxo e teve benefício revogado

14/08/2025 às 13:47 por Redação Plox

Alexandre de Jesus Carlos, conhecido como 'Choque' e apontado como um dos principais chefes do Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, optou por pagar cerca de R$ 24 mil por uma cirurgia realizada em um hospital de alto padrão, mesmo tendo direito ao atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).


Imagem Foto: Redes Sociais | Google Street View

A operação de vesícula, feita por videolaparoscopia, ocorreu no Hospital Samaritano, localizado em Botafogo, Zona Sul da capital fluminense. O procedimento, que poderia ser realizado gratuitamente no sistema prisional ou por meio do SUS, teve um custo estimado de R$ 20 mil. Além disso, o detento desembolsou mais R$ 4.838,55 por uma diária na unidade hospitalar.


Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, os pagamentos foram feitos diretamente pelo próprio ‘Choque’, que, apesar disso, era beneficiário da Justiça gratuita – direito concedido a quem não pode arcar com despesas judiciais.


A decisão de permitir que o procedimento fosse feito fora do sistema penitenciário partiu do próprio juiz, segundo a defesa do acusado. Os advogados também negaram ter solicitado o uso de uma unidade privada. Após a repercussão do caso, o benefício da gratuidade foi revogado e o detento teve alta médica, retornando ao presídio nesta quarta-feira (13).


O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Sepa) foram questionados sobre o motivo de a cirurgia não ter sido realizada dentro da estrutura prisional. Em resposta, a Sepa afirmou que o procedimento ocorreu de acordo com decisão judicial. Já o TJRJ informou que a Vara de Execuções Penais está exigindo um relatório do hospital com detalhes sobre as condições médicas do detento.


Preso desde 2008, ‘Choque’ era, na época, o criminoso mais procurado do estado. Ele é acusado de ter ordenado a execução de um traficante que comercializava drogas sem autorização em sua área de atuação e de ter mandado torturar um ladrão que foi encontrado no telhado de uma casa no bairro onde vivia.


O episódio reacendeu o debate sobre o uso de hospitais particulares por presos do sistema penal brasileiro e os critérios adotados para justificar esse tipo de deslocamento, especialmente em casos em que os procedimentos estão disponíveis gratuitamente por meio do SUS.


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