Pesquisadores brasileiros testam canabidiol em tratamento de viciados em crack

14/10/2019 20:44

Segundo pesquisadora, medicamento tem potencial para amenizar alguns sintomas dos usuários de crack

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A professora da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Centro de Referência sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas, Andrea Gallassi, tem testado os efeitos do canabidiol, substância derivada da Cannabis sativa, conhecida como maconha, no tratamento de pessoas viciadas em crack. Atualmente, no mundo inteiro, este estudo só está sendo feito em dois lugares: aqui, no Brasil, em Brasília, e no Canadá.

Segundo a pesquisadora, toda a sua trajetória acadêmica sempre foi voltada para usuários de drogas. Porém, com os avanços da medicina canabinóide, há quatros anos, Andrea teve a ideia de fazer um estudo para avaliar o uso do canabidiol para as pessoas dependentes de crack.

Ao longo destes anos todos, ela percebeu quais eram os sintomas e quais eram as maiores dificuldades que esses pacientes tinham. Foi aí que a pesquisadora constatou que eles até tentavam parar, mas a abstinência do crack, era tão grande, que faziam eles terem recaídas, e, novamente, voltavam a usar a droga. 

canabidiolFoto: Reprodução TV Brasil

Os efeitos positivos do uso do canabidiol fizeram Andrea perceber que a substância derivada da Cannabis sativa tem o potencial para amenizar alguns sintomas, como a ansiedade, a falta de apetite, insônia e o desejo por crack. 

Andrea e outros pesquisadores decidiram verificar, cientificamente, se, de fato, haveria uma melhora desses sintomas com o uso do canabidiol por meio de um ensaio clínico. Neste estudo, para saber, testar e afirmar que na amostra de pacientes o efeito foi positivo ou não, é preciso ter um grupo que use o medicamento testado, neste caso o canabidiol, e o outro grupo que faça o tratamento convencional, que é feito com antidepressivo, calmante e um estabilizador de humor. 

“O óleo placebo é óleo de coco com aroma de morango. Por quê? Porque o óleo de canabidiol, a base dele, para diluir o canabidiol, é óleo de coco e tem uma essência de morango. A gente fez exatamente para ficar muito parecido”, comenta a pesquisadora.

O problema é que a substância que é usada na pesquisa, o canabidiol, não é vendida no Brasil; e foi aí que começou todo o processo para viabilizar a importação do óleo. Segundo a professora da UnB, Andrea Gallassi, o estudo teve todo o apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. 

“Eu tenho essas duas autorizações, que são as autorizações necessárias, junto à Anvisa, pela simples razão de que se trata de um medicamento de uso controlado e que a gente não tem no Brasil, a gente tem que importar. Então, quem me dá autorização para importação é a Anvisa”, disse.

No total, o estudo foi desenhado para atender 80 dependentes em crack. O recrutamento dos participantes começou em agosto. De lá, para cá, já foram abertos alguns grupos, que já começaram o tratamento, mas, as inscrições ainda estão abertas, e vão se encerrar no final de outubro.

Existe uma equipe multidisciplinar cuidando dessas pessoas, sem contar que eles ganham as passagens para ir até a UnB, uma vez por semana, para pegar a medicação. Afinal, os medicamentos não são dados de uma só vez. 

Medicamento

Uma novidade é que a partir do início deste mês, pacientes em tratamento de saúde, que tenham sido orientados a usarem o canabidiol, podem solicitar a importação de produtos feitos à base da substância por meio de um formulário eletrônico.

Esse novo guia de importação mediante prescrição de profissional de saúde legalmente habilitado deve ser preenchido no portal www.gov.br, pelo paciente ou por um representante legal devidamente constituído.

A autorização vale por ano e, durante esse período, os pacientes ou seus responsáveis legais podem importar o produto autorizado. Para isso, basta apresentar a prescrição médica com o quantitativo previsto para o tratamento diretamente nos postos da Anvisa localizados nos aeroportos e nas áreas de fronteiras.
 



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