Governo de MG afirma que acordo com a Vale “não se trata de acordo sigiloso”

Nem o Governo e nem a Vale se pronunciaram em relação aos valores e nem o motivo pelo qual os representantes das vítimas do desastre não participaram do acordo

Por Plox

14/11/2020 09h25 - Atualizado há quase 5 anos

Nessa sexta-feira (13), em um comunicado oficial, o Governo de Minas esclareceu os pontos tratados no acordo com a Vale, em relação ao rompimento da barragem em Brumadinho, que matou 272 pessoas. Segundo o governo Estadual, não se trata de acordo sigiloso.  

De acordo com o governo, foi realizada uma primeira audiência de conciliação no Tribunal de Justiça, no dia 22 de outubro, após a qual representantes do Estado prestaram esclarecimentos à imprensa.

Ainda segundo o Governo, após essa audiência, a empresa Vale enviou sua proposta, que foi colocada inicialmente sob segredo de justiça, quebrado na última quinta-feira (12).

Nem o Governo e nem a Vale se pronunciaram em relação aos valores e nem o motivo pelo qual os representantes das vítimas do desastre não participaram do acordo.

Foto: divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

Segundo os advogados dos representantes das famílias das vítimas, caso o acordo seja firmado, a empresa irá economizar cerca de R$ 24 bilhões, em relação ao último cálculo de indenização feito.

 

Veja o que disse o governo de Minas Gerais

- Não se trata de acordo sigiloso. Uma primeira audiência de conciliação no Tribunal de Justiça foi realizada em 22 de outubro, após a qual representantes do Estado prestaram esclarecimentos à imprensa, inclusive. Após essa audiência, a empresa Vale enviou sua proposta, que foi colocada inicialmente sob segredo de justiça, quebrado na última quinta-feira (12/11);

- O pedido de quebra do sigilo em relação à proposta foi peticionado pelo Governo do Estado ao Tribunal de Justiça, por meio da Advocacia-Geral do Estado (AGE), pela Advocacia-Geral do União, pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público de Minas Gerais, pela Defensoria Pública de Minas Gerais e pela Defensoria Pública da União;

- Apenas nas duas últimas semanas, foram três audiências públicas realizadas sobre o tema, sendo duas na Assembleia Legislativa do Estado e uma de forma on-line, com participação de milhares de atingidos, com pico superior a 1,7 mil acessos simultâneos, além de reunião com movimentos sociais;  

- Caso o acordo seja firmado, parte dos projetos SERÁ DECIDIDA DIRETAMENTE PELAS COMUNIDADES ATINGIDAS, COM AMPLO PROCESSO DE PARTICIPAÇÃO;

- Periodicamente, o governador recebe atingidos representados por associação de familiares de vítimas e atingidos, tendo o último encontro sido realizado em 21 de outubro;

- As tratativas por um acordo buscam evitar uma batalha jurídica de anos ou décadas, iniciando a reparação de danos socioambientais imediatamente;

- Trata-se de uma ação envolvendo danos coletivos econômicos e sociais causados ao Estado, não interferindo em ações sobre direitos individuais dos atingidos. As ações individuais constituem processos à parte;

- Em relação à proposta feita pela empresa, o Governo de Minas esclarece que a considera insuficiente em razão do volume dos danos socioeconômicos causados pelo rompimento da barragem. A mediação buscará avançar para valores compatíveis e proporcionais aos danos sofridos;

- O pedido de reparação de R$ 54,6 bilhões foi feito em conjunto por Governo do Estado, por meio da AGE, Ministério Público do Estado, Defensoria Pública do Estado, Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União e a Advocacia-Geral da União;

- Os recursos serão destinados a contas específicas para aplicação em projetos que priorizam a região diretamente atingida, caso o acordo seja firmado em especial nas áreas de Saúde, Educação, Assistência social, Saneamento básico e Mobilidade;

- O Poder Público do Estado de Minas Gerais está presente na região atingida prestando apoio à população desde o dia do rompimento e em diálogo com as comunidades, por meio das secretarias de estado, do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil, da Ouvidoria-Geral do Estado, do MPMG e da DPE. O Corpo de Bombeiros atua ainda hoje na busca por corpos de desaparecidos;

- Pelo exposto, fica claro que um eventual acordo acrescentaria obrigações à Vale, sem qualquer concessão e obrigando-a a iniciar um processo de reparação que poderia levar anos para ser iniciado.

 

 

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