Moraes abre inquérito sigiloso para apurar possível vazamento de dados de ministros do STF
Ministro instaura investigação de ofício sobre supostos vazamentos de informações sigilosas pela Receita Federal ou Coaf envolvendo membros da Corte e familiares, em meio à repercussão do caso Banco Master e contrato milionário com escritório de sua esposa
15/01/2026 às 14:03por Redação Plox
15/01/2026 às 14:03
— por Redação Plox
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), instaurou de ofício um inquérito para investigar possíveis vazamentos de informações sigilosas envolvendo ministros da Corte e seus familiares por parte da Receita Federal ou do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A investigação foi aberta sem qualquer pedido prévio de órgãos de persecução penal e tramitará sob sigilo por decisão do próprio ministro.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF
Foto: STF
A apuração foi divulgada inicialmente pelo portal Poder360 e confirmada pela reportagem da Itatiaia. Receita Federal e Coaf foram formalmente notificados na quarta-feira (14) e, procurados, não se manifestaram sobre a abertura do inquérito.
Inquérito aberto durante plantão no STF
Moraes determinou a abertura da investigação na condição de presidente interino do STF. Ele assumiu o plantão da Corte na última segunda-feira (12), período em que o tribunal permanece em recesso e só retoma as atividades ordinárias em fevereiro.
O inquérito não foi solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), procedimento que costuma ser adotado no Supremo em casos dessa natureza. Integrante da PGR informou que o órgão acompanhará o andamento da apuração.
Suspeitas ligadas ao caso Banco Master
As suspeitas de vazamento de dados sigilosos surgiram a partir da chegada ao STF do caso envolvendo o Banco Master. A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou detalhes de um contrato firmado entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, para a defesa de interesses da instituição financeira e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.
De acordo com o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório de Viviane receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso o acordo fosse integralmente cumprido, o valor total pago ao escritório Barci de Moraes Associados chegaria a R$ 129 milhões até o início de 2027, o que ampliou a repercussão política e jurídica do caso.