Barueri mantém aluguel mais caro do país em 2025, puxado por Alphaville e imóveis de alto padrão
Índice FipeZAP aponta valor médio de R$ 70,35 por m² em Barueri, à frente de Belém e São Paulo; média nacional chega a R$ 50,98 por m² e novos contratos sobem 9,44%, mais que o dobro da inflação
15/01/2026 às 10:36por Redação Plox
15/01/2026 às 10:36
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A cidade de Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, mantém a liderança como mercado de aluguel mais caro do país, segundo dados do Índice FipeZAP divulgados nesta quinta-feira (15).
Bairro de Alphaville, em Barueri (SP).
Foto: Divulgação/Prefeitura
Para morar no município, o custo médio é de R$ 70,35 por metro quadrado ao mês. Em um imóvel de 50 metros quadrados, o aluguel gira em torno de R$ 3.517,50 — valor superior aos R$ 3.270 registrados em 2024.
Barueri ocupa o topo do ranking desde 2022. Como já mostrou o g1, os preços refletem o foco do município em empreendimentos de alto padrão, movimento intensificado durante a pandemia de Covid-19. O bairro de Alphaville é o principal responsável por puxar essa valorização.
A segmentação e o nicho desse mercado tendem a contribuir para uma valorização mais acentuada em Barueri
Paula Reis, economista do Grupo OLX
Barueri lidera; Belém e São Paulo completam o topo do ranking
O Índice FipeZAP acompanha o preço médio de locação de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras — 22 delas capitais. Os dados mais recentes são referentes a dezembro de 2025.
A segunda cidade mais cara do país é Belém (PA), onde o custo médio mensal do aluguel é de R$ 63,69 por metro quadrado. Em um imóvel de 50 metros quadrados, o valor chega a R$ 3.184,50.
São Paulo (SP) aparece em terceiro lugar, com custo médio de R$ 62,56 por metro quadrado, o que representa R$ 3.128 por mês para um imóvel de 50 metros quadrados.
Aluguel mais barato está no Sul, com valores menos da metade dos de Barueri
Na outra ponta do ranking, o aluguel residencial mais barato entre as cidades monitoradas está no Sul. Em Pelotas (RS), o custo médio é de R$ 22,42 por metro quadrado, bem abaixo do valor observado em Barueri.
O município gaúcho aparece logo atrás de duas capitais do Nordeste: Teresina (PI), com aluguel médio de R$ 26,62 por metro quadrado, e Aracaju (SE), com R$ 27,97 por metro quadrado.
Considerando imóveis de 50 metros quadrados, os valores médios de locação seriam de:
Pelotas: R$ 1.121
Teresina: R$ 1.331
Aracaju: R$ 1.398,50
Média nacional de aluguel fica acima de R$ 2,5 mil
O preço médio dos novos contratos de aluguel residencial nas 36 cidades acompanhadas pelo índice ficou em R$ 50,98 por metro quadrado em dezembro. Nessa base, um apartamento de 50 metros quadrados custa, em média, R$ 2.549 por mês no país.
O valor representa um aumento de quase R$ 143 em relação ao ano anterior, quando o mesmo imóvel saía por R$ 2.406.
Aumento dos aluguéis supera o dobro da inflação em 2025
Em 2025, os novos contratos de locação residencial ficaram, em média, 9,44% mais caros, de acordo com o Índice FipeZAP. Apesar de expressiva, a alta ficou 4,06 pontos percentuais abaixo da registrada em 2024, quando os aluguéis subiram 13,50%.
Ainda assim, o avanço dos aluguéis superou em mais do que o dobro a inflação oficial. No mesmo período, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 4,26%.
Descontada a inflação, a alta real dos novos contratos de aluguel foi de 4,97% em 2025.
Segundo Paula Reis, economista do Grupo OLX, o reajuste acima da inflação está ligado ao desempenho da economia brasileira, especialmente ao mercado de trabalho, que permanece aquecido.
A depreciação do valor real dos aluguéis, que ocorreu durante a pandemia, já foi compensada. Contudo, a vitalidade da economia e, em particular, o mercado de trabalho, mantiveram o poder aquisitivo da população, viabilizando a continuidade de reajustes superiores à inflação
Paula Reis, economista do Grupo OLX
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% no trimestre encerrado em novembro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. É a menor taxa da série histórica iniciada em 2012.
Reajustes acima da inflação devem continuar em 2026
De acordo com a economista, a tendência é que os reajustes de aluguéis superiores à inflação se mantenham, pelo menos, no primeiro semestre de 2026, ainda que em ritmo gradualmente menor. O setor deve continuar aquecido, principalmente por dois fatores:
O aumento do salário mínimo acima da inflação, o que pode aliviar, em parte, o orçamento das famílias.
As mudanças no Imposto de Renda, que preveem isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e desconto progressivamente menor para quem recebe até R$ 7.350.
Apenas duas cidades têm queda no preço do aluguel
Entre os 36 municípios monitorados pelo Índice FipeZAP, apenas dois registraram recuo no preço médio dos aluguéis em 2025. Em Campo Grande (MS), houve queda de 4,36%, enquanto São José (SC) apresentou redução de 3,10%.
Considerando apenas as capitais, as maiores altas no ano foram observadas em Teresina (21,81%), Belém (17,62%), Aracaju (16,73%) e Vitória (15,46%). Com esses resultados, Teresina lidera o ranking geral de aumento dos aluguéis entre as capitais monitoradas.