Pug morre após hipertermia em hotel para animais no litoral de SP

Bucky, cão da raça pug, morreu horas depois de ser deixado em hotel para animais em Santos; tutora questiona controle térmico e relata impacto emocional na família

15/01/2026 às 12:08 por Redação Plox

Um cachorro da raça pug chamado Bucky morreu na segunda-feira (12/1) após um quadro grave de hipertermia – aumento excessivo da temperatura corporal –, horas depois de ser deixado em um hotel para animais em Santos, no litoral sul de São Paulo.


De acordo com a tutora, Rosana Gemignani, a família havia decidido hospedar o animal no local porque faria uma viagem internacional e não tinha com quem deixá-lo. Ela relatou que essa foi a primeira vez em que o pug ficou sob os cuidados de pessoas desconhecidas, já que normalmente era acolhido por um parente.


Por se tratar de um pug, raça braquicefálica e mais suscetível a problemas respiratórios e de temperatura, Rosana disse ter buscado um local que oferecesse atenção especial ao controle térmico dos cães, ponto que ela considerou determinante na escolha do hotel canino.

O pug Bucky morreu na tarde de segunda-feira (12/1) cerca de cinco horas após ter sido deixado em um hotel para pets em Santos, no litoral.

O pug Bucky morreu na tarde de segunda-feira (12/1) cerca de cinco horas após ter sido deixado em um hotel para pets em Santos, no litoral.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Busca por um hotel e dia de adaptação

Na pesquisa por hospedagem, Rosana encontrou o Clube Auau, estabelecimento localizado no bairro Paquetá, em Santos. Em mensagens trocadas com o hotel, ela questionou se havia cuidados específicos com pugs diante do risco maior de hipertermia em cães braquicefálicos.


O hotel sugeriu um dia de adaptação para observar como Bucky se comportaria na presença de outros animais. Segundo Rosana, a experiência correu bem, o que a levou, inclusive, a cogitar novas hospedagens do cachorro no local em outras oportunidades.

Início da hospedagem e mal-estar súbito

No dia 12 de janeiro, data em que começaria a hospedagem oficial, o cenário mudou. Rosana contou que deixou Bucky no Clube Auau por volta de meio-dia e seguiu para a cidade de São Paulo, onde encontraria uma de suas filhas antes do embarque da família para o exterior.


Já no aeroporto, por volta das 17h40, ela recebeu um áudio do clube informando que o pug não estava bem, apresentava grande moleza e espumava pela boca. O cão foi levado pelo proprietário do estabelecimento a uma clínica veterinária próxima.


Durante o trajeto e o atendimento, Rosana manteve contato com um atendente do hotel, pedindo atualizações sobre o estado de saúde de Bucky. Ela relata que recebia apenas respostas genéricas, informando que o animal estaria melhorando, sem detalhes sobre o quadro.


Em determinado momento, a tutora acionou a veterinária da família para se dirigir à clínica e acompanhar o caso. Enquanto isso, ela e os demais parentes desistiram da viagem, deixaram o aeroporto e retornaram a Santos.

Laudo veterinário e horário da morte

Segundo o laudo da clínica para onde Bucky foi encaminhado, o cachorro morreu às 18h20. Ele chegou ao atendimento em estado crítico, com perda de consciência, deitado em decúbito lateral, sem reflexos motores, taquicardia, respiração acelerada, náuseas com mímica de vômito, temperatura corporal de 40,7°C, mucosas cianóticas, abdômen distendido por aerofagia e pressão arterial de 80 mmHg.


A equipe veterinária tentou reverter o quadro com o uso de medicamentos e procedimentos de resfriamento, mas o pug não resistiu. Mesmo após o horário registrado da morte, Rosana afirma ter recebido, às 18h37, um vídeo enviado pelo proprietário do Clube Auau, no qual Bucky ainda aparecia na maca de atendimento.

Perda de suporte emocional para a família

Rosana relatou ao portal Metrópoles que Bucky exercia o papel de suporte emocional para sua filha de 26 anos, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Segundo a tutora, após a morte do cachorro, a jovem passou a ter surtos mais frequentes e a sentir de forma intensa a ausência do animal na rotina da casa.


Ela descreveu o impacto da perda no cotidiano da família, marcado pela falta de ruídos e hábitos antes associados ao pug, como latidos ao toque do interfone e os sons característicos da respiração do animal.

Posicionamento do Clube Auau

Em nota, o Clube Auau afirmou que, no dia 12 de janeiro, Bucky realizou atividades consideradas habituais no espaço, como brincar, se alimentar, descansar e interagir com outros cães.

O estabelecimento declarou ainda que, devido às altas temperaturas, mantinha o ambiente com dois ventiladores ligados, esguichos de água nas paredes e o piso constantemente molhado, “visando a redução do calor e o conforto térmico dos animais”.


Sobre o episódio, o clube informou que o cachorro apresentou um mal súbito por volta das 17h30, percebido pela equipe, que teria iniciado imediatamente procedimentos de primeiros socorros e resfriamento, além de encaminhar o animal com urgência para atendimento veterinário em uma clínica próxima.


Ao final da nota, o estabelecimento lamentou a morte de Bucky e destacou que, no mesmo dia e sob as mesmas condições de ambiente e manejo, havia outros animais no local, todos descritos como estando bem e saudáveis.

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