Damares divulga lista de igrejas investigadas na CPI do INSS e Malafaia volta a criticá-la: 'proveito político'

Pastor acusa senadora de mentir sobre envolvimento de grandes igrejas em fraudes previdenciárias, enquanto Damares divulga lista de investigados e defende continuidade das apurações na CPMI do INSS

15/01/2026 às 18:08 por Redação Plox

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, voltou a criticar a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) após a divulgação da lista de igrejas e pastores investigados na CPMI que apura fraudes no INSS. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quinta-feira, ele acusou a parlamentar de tentar tirar “proveito político” da situação. No domingo, Damares afirmou que a CPMI tem sido alvo de pressões de pessoas e instituições interessadas em atrapalhar as investigações, especialmente após a identificação de instituições religiosas e “grandes pastores” como parte do esquema de desvios no sistema previdenciário. Veja os detalhes na Live.



Malafaia questiona atuação de Damares na CPMI

No vídeo, Malafaia contestou o protagonismo atribuído pela senadora a si própria na divulgação das informações e minimizou o papel de Damares na apuração sobre igrejas e pastores.

Ela tenta tirar proveito político do que não fez. Não é Damares que denuncia igrejas e pastores. O que ela faz, junto dos outros deputados e senadores, é assinar requerimento de convocação. Ela não denuncia pastores, tampouco igrejas. – Silas Malafaia

Em nota publicada no Instagram na noite de quarta-feira, a senadora afirmou que os dados relativos às igrejas são públicos, constam em documentos oficiais e já foram aprovados pelos membros da comissão. Ela destacou ainda ter sido autora do requerimento que originou a CPMI do INSS, instalada em 2025, e disse atuar como membro titular desde o início dos trabalhos.

Foto: Agência Senado



Malafaia relatou ter procurado o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), para questionar as declarações de Damares sobre pressões contra as investigações. Segundo o pastor, Viana teria negado a existência de lobby de líderes religiosos para travar a CPMI.

De acordo com Malafaia, o presidente da comissão informou que as apurações apontam indícios de que duas igrejas teriam sido criadas para lavagem de dinheiro de aposentados, por meio de ofertas destinadas a “igrejas menores”.

O pastor também elevou o tom ao acusar a senadora de mentir ao falar em “grandes igrejas” e ao relatar suposto lobby para que as investigações não avancem. Ele afirmou desejar que tudo seja esclarecido, dizendo que não aceitará que igrejas e líderes religiosos recebam a “pecha de corruptos” em um esquema com o qual, segundo ele, não teriam relação.

Foto: Rede Social


Lista de igrejas e pastores investigados

A divulgação da lista por Damares ocorreu após ela ser cobrada publicamente por Malafaia, que a havia chamado de “linguaruda” por citar a participação de religiosos em fraudes sem revelar nomes. Nas redes, o pastor pressionou a senadora a divulgar quem seriam os envolvidos, sob pena de classificá-la como levianda.

Após a cobrança, foram tornados públicos os nomes de igrejas e pastores mencionados em requerimentos da CPMI:

Igrejas:

  • Adoração Church — alvo de pedido de quebra de sigilo;
  • Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo — alvo de pedido de quebra de sigilo;
  • Ministério Deus é Fiel Church — alvo de pedido de quebra de sigilo;
  • Igreja Evangélica Campo de Anatote — alvo de pedido de quebra de sigilo.


Foto: Rede Social


Pastores:

  • Cesar Belucci — convidado a comparecer à CPMI;
  • André Machado Valadão — convidado a comparecer à CPMI e alvo de pedido de quebra de sigilo;
  • Péricles Albino Gonçalves — convidado a comparecer à CPMI;
  • Fabiano Campos Zettel— convidado a comparecer à CPMI;
  • André Fernandes — convidado a comparecer à CPMI.


Pastor e empresário também é investigado pela Polícia Federal


Fabiano Campos Zettel, empresário pastor da da Igreja Batista da Lagoinha,  foi um dos alvos da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, deflagrada nessa quarta-feira, para dar continuidade às investigações sobre o escândalo do Banco Master. Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Apesar de ter sido preso temporariamente no Aeroporto de Guarulhos nessa quarta-feira, enquanto embarcava para uma viagem de negócios rumo a Dubai, o empresário foi solto horas depois, por determinação do ministro do STF, Dias Toffoli. O ministro ordenou a apreensão de seu passaporte e o proibiu de deixar o país.

Foto: Rede Social


Nas eleições de 2022, Zettel destacou-se como um dos maiores doadores pessoa física do Brasil. Para Jair Bolsonaro (PL), doou R$ 3 milhões, a maior doação individual recebida pela campanha à reeleição. Para Tarcísio de Freitas (Republicanos), destinou R$ 2 milhões à campanha do atual governador de São Paulo.

Senadora diz sentir “desconforto e tristeza”

Ao comentar o envolvimento de instituições religiosas nas fraudes, Damares declarou que a possível participação de igrejas ou líderes religiosos no esquema de golpes contra o INSS lhe causa “profundo desconforto e tristeza”. Mesmo assim, ressaltou que a CPMI tem, segundo ela, o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental.

A manifestação da senadora veio após Malafaia anunciar que divulgaria um vídeo para confrontá-la. O pastor reagiu especialmente às falas em que Damares apontou que a comissão teria identificado “grandes igrejas” e “grandes pastores” envolvidos em fraudes, além de mencionar pressões para frear o trabalho da CPMI.

Em entrevista ao SBT News, a senadora relatou que a resistência às investigações vem inclusive de setores religiosos, descrevendo reações de fiéis contrários à exposição de nomes ligados às fraudes e afirmando que a CPMI tem sofrido lobbies para não avançar.

Na mesma entrevista, Damares afirmou que a comissão está indo além do esperado e que “grandes igrejas do Brasil” estariam sendo apontadas nas apurações, fato que, disse, lhe causa sofrimento pessoal.

Relatório parcial e possível prorrogação da CPMI

Para 2026, o presidente da comissão, Carlos Viana, anunciou a realização, em fevereiro, do primeiro balanço do relatório preliminar sobre as atividades do colegiado no ano anterior. O prazo oficial para conclusão dos trabalhos termina em março, mas o senador defende a prorrogação por mais 60 dias, alegando que o período atual é insuficiente para a análise de toda a documentação e para a oitiva de todos os convocados.

Em nota, Viana argumentou que, diante da dimensão nacional e da profundidade do esquema, a extensão dos trabalhos é considerada por ele “absolutamente indispensável” para aprofundar as apurações, rastrear patrimônio oculto, identificar todos os responsáveis e garantir justiça às vítimas.

Ao longo do ano passado, a CPMI realizou 28 reuniões e ouviu 26 testemunhas, entre elas dois ex-ministros da Previdência: Carlos Lupi, titular da pasta quando as irregularidades vieram à tona, e Onyx Lorenzoni, responsável pelo ministério durante o governo Bolsonaro, período em que teriam começado os desvios.

No mês passado, Viana antecipou alguns pontos que devem constar do relatório final, entre eles a análise de cerca de 4.800 documentos e a identificação de 108 empresas suspeitas de envolvimento nas fraudes. O presidente da comissão também anunciou que pedirá ao STF a suspensão imediata de quase 2 milhões de contratos de empréstimos consignados sob suspeita de irregularidades.

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