Damares divulga lista de igrejas citadas na CPMI do INSS e confronto com Malafaia expõe racha na direita
Senadora torna públicos nomes de instituições religiosas e líderes evangélicos mencionados em requerimentos que investigam suspeitas de fraudes em descontos em benefícios do INSS; reação de Silas Malafaia acirra tensão no campo conservador, enquanto Flávio Bolsonaro tenta conter desgaste e pregar união da direita
15/01/2026 às 16:17por Redação Plox
15/01/2026 às 16:17
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
BRASÍLIA – O embate entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (15/1), com a divulgação de uma lista de igrejas e líderes evangélicos mencionados em requerimentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Malafaia chamou Damares de “leviana e linguaruda”
Foto: Agência Senado/Lula Marques
A relação tornada pública por Damares reúne alvos de pedidos de convocação, convite ou quebra de sigilo apresentados no âmbito da comissão, que apura suspeitas de fraudes em descontos indevidos em aposentadorias e pensões. As investigações no Congresso ocorrem em paralelo a apurações da Polícia Federal (PF).
Lista inclui igrejas e líderes evangélicos
A senadora sustenta que as informações citadas por ela são de acesso público e integram formalmente os trabalhos da CPMI. De acordo com Damares, os requerimentos se baseiam em indícios colhidos em documentos oficiais, como Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e dados da Receita Federal, e estariam sendo analisados com respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.
Entre os pedidos que tramitam na comissão estão requerimentos de transferência de sigilo de igrejas como a Adoração Church, a Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church e a Igreja Evangélica Campo de Anatote, além de convites para depoimentos e solicitações de quebra de sigilo de líderes religiosos.
Damares tem ressaltado que a eventual participação de instituições religiosas em esquemas de fraude provoca “profundo desconforto e tristeza”, mas afirma que cabe à CPMI cumprir o dever constitucional de apurar os fatos com base documental e responsabilidade.
Reação de Malafaia eleva o tom da crise
A divulgação da lista veio depois de um vídeo publicado por Silas Malafaia nas redes sociais, em que o pastor reagiu às declarações da senadora sobre o possível envolvimento de igrejas no esquema de descontos irregulares do INSS. No conteúdo, ele cobra a apresentação de nomes e provas e chama a parlamentar de “leviana linguaruda”.
No vídeo, Malafaia questiona a postura de Damares e exige a identificação dos supostos envolvidos, em meio à repercussão das acusações no meio evangélico e no campo político conservador.
Fissuras na direita e tentativa de apaziguamento
O confronto entre Damares e Malafaia expôs rachas e disputas internas no campo conservador, em um momento de reorganização de forças à direita. Aliados tentam conter o desgaste e minimizar o impacto político do conflito.
Nesta quinta-feira, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratou o episódio como parte de divergências consideradas naturais no processo político e buscou relativizar os atritos dentro do grupo.
Ele também procurou esvaziar a polêmica em torno de recentes gestos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em direção ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto trabalha para fortalecer sua própria pré-candidatura ao Palácio do Planalto, dizendo não ter conversado com Michelle sobre o assunto.
Eu pratico a união, porque esse é o caminho. Nosso adversário não está dentro da direita. Nosso adversário está na esquerda, está nesse atual governo.
Flávio Bolsonaro
Ao reforçar a necessidade de unidade, Flávio tenta blindar o projeto eleitoral da direita dos efeitos do confronto entre lideranças religiosas e políticas, em um contexto no qual a coesão do campo conservador é vista como crucial para as disputas de 2026.