Irã adia execução de manifestante de 26 anos após repercussão internacional
ONG de direitos humanos afirma que ordem de execução de Erfan Soltani, preso há menos de uma semana, não foi cumprida em meio a apagão digital e restrições impostas pelo regime iraniano
15/01/2026 às 06:58por Redação Plox
15/01/2026 às 06:58
— por Redação Plox
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As autoridades iranianas adiaram a execução de Erfan Soltani, manifestante de 26 anos, após a ampla repercussão internacional do caso. A informação foi divulgada pela ONG de direitos humanos Hengaw à CNN Brasil.
Soltani havia sido preso há menos de uma semana, em meio às manifestações no país, e tinha a execução marcada para esta quarta-feira (14). Segundo a Hengaw, a organização conseguiu contato com familiares do jovem, mesmo diante do apagão digital e das severas restrições de comunicação impostas pelo regime iraniano.
Manifestante iraniano será executado nesta quarta-feira (14)
Foto: Reprodução: Instagram
A ordem de execução previamente comunicada à sua família e agendada para quarta-feira não foi cumprida e foi adiada
Arina Moradi, integrante da ONG Hengaw, à CNN Brasil
A entidade ressalta que, por causa da interrupção da internet no Irã, não é possível acompanhar em tempo real os desdobramentos do caso, o que aumenta a apreensão de familiares e organizações de direitos humanos.
Declarações de Trump e pressão internacional
O adiamento ocorre no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “não há planos para execuções” no Irã e que a “matança está parando”. Em pronunciamento no Salão Oval da Casa Branca, Trump disse ter recebido a informação de uma “fonte confiável” e declarou que ficaria “muito chateado” caso as execuções voltassem a ocorrer.
O caso de Erfan Soltani ganhou destaque na imprensa internacional e mobilizou organizações de defesa dos direitos humanos, que veem o episódio como símbolo da repressão às manifestações no país.
Quem é Erfan Soltani
De acordo com a Hengaw, Soltani mora no bairro de Fardis, na cidade de Karaj, e foi preso em casa na quinta-feira (8), sob acusação de envolvimento nos protestos. O portal Iranwire informou que o jovem trabalhava na indústria de vestuário e havia ingressado recentemente em uma empresa privada.
Pessoas próximas o descrevem como um jovem interessado em moda, esportes e musculação, que levava uma vida simples. Ainda segundo o Iranwire, ele teria recebido mensagens ameaçadoras de agentes de segurança, mas manteve o engajamento nas manifestações, tornando-se um dos rostos associados à atual onda de protestos no país.