Julgamento de ex-namorado acusado de matar mineira segue em tribunal na Irlanda

Testemunhas relatam perseguição na festa de Réveillon, envio de vídeo do corpo a amigo no Brasil e suposta confissão contestada pela defesa de Miller Pacheco

15/01/2026 às 11:29 por Redação Plox

O julgamento de Miller Pacheco, de 32 anos, acusado de assassinar a bibliotecária mineira Bruna Fonseca, de 28, na Irlanda, segue em andamento no Tribunal Penal Central de Cork, a segunda maior cidade do país europeu. O crime, ocorrido na noite de Réveillon de 2023, teve o corpo da vítima encontrado em seu apartamento no dia 1º de janeiro daquele ano, na cidade de Cork, onde ela morava.

A jovem foi achada morta em seu apartamento, na cidade de Cork, na Irlanda.

A jovem foi achada morta em seu apartamento, na cidade de Cork, na Irlanda.

Foto: Reprodução / Redes sociais.



Natural de Formiga, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Bruna vivia na Irlanda para realizar um projeto pessoal, segundo familiares. Pacheco, ex-namorado da jovem, responde no tribunal pela acusação de tê-la matado dentro do imóvel em que ela residia.

Testemunhas relatam perseguição em festa de Réveillon

Nesta quinta-feira (15), testemunhas detalharam no tribunal as últimas horas em que Bruna foi vista com vida. De acordo com o jornal Irish Examiner, que acompanha o julgamento, familiares descreveram o comportamento de Miller Pacheco durante uma festa de fim de ano em que ele e a vítima estiveram presentes.


Uma sobrinha de Bruna, Maria Fonseca, afirmou que o ex-namorado seguia a vítima durante a comemoração de Ano-Novo, enquanto ela tentava evitá-lo. Segundo o relato, ele também teria registrado em vídeo o momento em que Bruna dançava com outro homem.

Confissão a familiares e discussão sobre tradução

O Irish Examiner informou ainda que relatos apresentados no julgamento apontam que Pacheco teria confessado o crime a um amigo no Brasil, chegando a enviar a ele um vídeo do corpo de Bruna. Já no tribunal, uma prima e melhor amiga da vítima, Marcella Fonseca, afirmou que o suspeito primeiro negou o assassinato e, depois, admitiu o ato, em um momento descrito por ela como marcado por frieza.


A defesa de Pacheco, conduzida por Ray Boland, contesta a forma como essa confissão foi registrada. O advogado sustenta que houve um erro de tradução na interpretação das palavras do réu a respeito da morte de Bruna e argumenta que ele usou o verbo “sufocar” em vez de “estrangular”. Também afirma que o cliente não teria sorrido durante o relato, mas que estaria em estado de choque.

Relação começou no Brasil e terminou na Irlanda

Segundo familiares ouvidos pelo Irish Examiner, o relacionamento entre Bruna e Miller começou no Brasil. A irmã da vítima, Izabel Fonseca, relatou que Bruna viajou para a Irlanda em busca de um sonho, enquanto o então namorado, inicialmente, não desejava se mudar. Ainda assim, ele decidiu ir ao encontro dela pouco tempo depois.


De acordo com essa versão apresentada à Justiça, o namoro teria chegado ao fim pouco depois da chegada de Pacheco ao país europeu, e o crime ocorreu cerca de uma semana após ele desembarcar na Irlanda. O caso, para a família, transformou o projeto de vida de Bruna no exterior em uma tragédia.

Medo pelo estado emocional do ex-namorado

Depoimentos de familiares indicam que Bruna não relatava medo de sofrer agressões físicas de Pacheco. As preocupações dela estariam ligadas, principalmente, ao estado emocional do ex-namorado após o término do relacionamento.

Maria Fonseca contou em juízo que, na noite de 31 de dezembro de 2022, durante a festa de Ano-Novo, Bruna chorou depois de encontrar uma faca na bolsa de Miller. Segundo o relato, a jovem ficou assustada ao imaginar que ele pudesse atentar contra a própria integridade, o que aumentou a tensão nas horas anteriores ao crime, descoberto na manhã seguinte.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a