Morte de ‘Popeye Brasileiro’ reacende alerta sobre riscos de óleo mineral nos músculos

Procedimento estético clandestino, sem reconhecimento médico, pode causar infecções graves, amputações e até morte por embolia, alerta cirurgião plástico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

15/01/2026 às 11:05 por Redação Plox

A morte de Arlindo de Souza, conhecido como “Popeye Brasileiro” ou “Arlindo Anomalia”, reacendeu o alerta sobre os riscos do uso de óleo mineral nos músculos para fins estéticos. Ele ganhou projeção nacional ao participar de programas de TV exibindo o físico após injetar a substância no próprio corpo.

Segundo familiares, Arlindo morreu em decorrência de problemas renais, sem relação direta com o óleo mineral. Ainda assim, o procedimento é considerado arriscado por especialistas e pode provocar complicações graves, como infecções e rejeição do material pelo organismo a longo prazo.


'Popeye Brasileiro' morreu no Recife

'Popeye Brasileiro' morreu no Recife

Foto: Reprodução/Redes sociais

Procedimento é clandestino e sem aval de órgãos de classe

De acordo com o cirurgião plástico Rafael Neves, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o óleo mineral costuma ser procurado por pessoas que desejam aumentar o volume muscular sem realizar atividade física.

A aplicação é feita de forma clandestina e não é reconhecida nem recomendada por entidades médicas. Embora a substância seja considerada inerte — isto é, sem interação química direta com o organismo — o médico ressalta que o procedimento não tem autorização e envolve riscos significativos à saúde.

Dificuldade para remoção e risco de sequelas graves

Um dos principais problemas, segundo Rafael Neves, é a dificuldade de remover o óleo mineral quando surgem complicações, como infecções ou rejeição do organismo. Nessas situações, não é possível simplesmente aspirar ou “abrir” a região e retirar o conteúdo, porque o produto se infiltra no tecido.

Caso você venha a ter uma infecção ou uma rejeição do óleo naquele local, você não consegue simplesmente abrir e tirar o óleo, não dá para fazer isso. Você vai ter que tirar tecido muscular, tirar a pele que está em cima, porque o óleo vai infiltrando tudo. Rafael Neves

O médico compara o comportamento da substância à infiltração de água em uma parede, sem limites bem definidos. Isso pode levar à remoção de áreas extensas de tecido saudável na tentativa de controlar o problema. Em quadros mais graves, o óleo pode alcançar estruturas nobres, como nervos.

Há registros de amputação de membros por complicações associadas ao uso de óleo mineral, com perda de braços e pernas em decorrência do dano causado à região afetada.

Infecção local pode se tornar problema sistêmico

Na maior parte dos casos, as complicações são locais, mas podem evoluir. Quando a infecção se dissemina, passa a comprometer todo o organismo.

Nesses quadros sistêmicos, a bactéria presente na área onde o óleo foi aplicado consegue entrar na circulação sanguínea e se espalhar, provocando risco generalizado à saúde, ainda que o produto em si não esteja circulando pelo corpo.

Riscos podem surgir anos após a aplicação

O especialista destaca que os efeitos adversos não precisam aparecer imediatamente. O organismo pode demorar para reagir à presença do óleo mineral, tratado como um corpo estranho.

Assim, a rejeição ou a infecção podem surgir meses ou até muitos anos depois da aplicação, exigindo intervenções complexas e, em alguns casos, mutiladoras.

Perigo imediato em aplicação dentro de vasos sanguíneos

Em situações ainda mais graves, o risco é imediato. Como a prática é realizada, em geral, por pessoas não habilitadas, existe a possibilidade de a substância ser injetada diretamente em vasos sanguíneos.

Nesse cenário, o óleo pode causar uma embolia, com obstrução súbita da circulação, o que leva a um quadro potencialmente fatal em pouco tempo, configurando um risco extremo para quem se submete ao procedimento.

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