Dólar e Ibovespa reagem a liquidação de gestora no Brasil e dados econômicos dos EUA

Liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, alvo da operação Compliance Zero, e novos indicadores da economia americana influenciam o humor dos investidores nesta quinta-feira (15)

15/01/2026 às 09:23 por Redação Plox

O dólar começou a sessão desta quinta-feira (15) acompanhando de perto o cenário econômico no Brasil e no exterior. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia suas negociações às 10h, com os investidores atentos a uma série de indicadores e decisões recentes.

A abertura dos mercados é marcada por uma combinação de fatores internos e externos. No plano doméstico, ganham relevância as investigações envolvendo o sistema financeiro. Lá fora, dados econômicos dos Estados Unidos voltam ao centro das atenções e ajudam a calibrar as expectativas para a política monetária.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: FreePik

BC liquida Reag Investimentos em meio a operação de fiscalização

No Brasil, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, atualmente registrada como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., com sede em São Paulo.

A instituição esteve no foco da segunda fase da operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14). O fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de mandados de busca e apreensão, em mais um desdobramento do esforço de fiscalização sobre o sistema financeiro.

Indicadores dos EUA no radar dos investidores

No exterior, os mercados acompanham a divulgação do pedido semanal de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. A expectativa é de aumento nas solicitações, para 215 mil, após 208 mil na semana anterior, o que pode sinalizar mudanças no ritmo do mercado de trabalho americano.

Entre os ativos corporativos, o Agibank protocolou pedido de oferta pública inicial de ações na Bolsa de Nova York. A operação prevê distribuição primária e secundária de papéis, de acordo com documento enviado à SEC, reguladora do mercado de capitais dos EUA.

Desempenho recente do dólar e do Ibovespa

No mercado de câmbio, o dólar acumula nesta semana alta de 0,68%. No mês, porém, a moeda registra queda de 1,59%, mesmo desempenho acumulado no ano até o momento.

Já o Ibovespa soma valorização de 1,09% na semana. No mês, o índice avança 2,50%, mesma taxa observada no acumulado de 2024, refletindo maior apetite por risco em meio a expectativas sobre juros e crescimento econômico.

Varejo americano mostra recuperação em novembro

Na agenda econômica internacional, as vendas no varejo dos Estados Unidos registraram alta de 0,6% em novembro, segundo dados do Departamento de Comércio, por meio do Census Bureau. Em outubro, houve leve recuo de 0,1%, após revisão dos números.

O resultado de novembro superou a previsão de economistas consultados pela Reuters, que projetavam crescimento de 0,4%. Os dados medem o valor gasto com mercadorias como roupas, eletrônicos e carros, sem considerar o efeito da inflação.

O avanço dos gastos, contudo, não foi homogêneo. As compras seguem sendo puxadas principalmente por famílias de renda mais alta, enquanto consumidores de menor renda ainda enfrentam dificuldades diante do custo de vida mais elevado.

Excluindo itens mais voláteis, como automóveis, gasolina, materiais de construção e restaurantes, as vendas tiveram expansão de 0,4% em novembro, após alta de 0,6% em outubro. No terceiro trimestre, o consumo acelerado respondeu por parte relevante do crescimento anualizado de 4,3% da economia americana.

Preços ao produtor indicam pressão moderada

O Departamento do Trabalho dos EUA, por meio do Escritório de Estatísticas do Trabalho, informou que o índice de preços ao produtor subiu 0,2% em novembro, após alta de 0,1% em outubro. O resultado ficou em linha com as estimativas de economistas ouvidos pela Reuters.

Esse indicador acompanha a variação dos preços antes de os produtos chegarem ao consumidor final e é visto como um termômetro de possíveis pressões futuras sobre a inflação.

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, os preços ao produtor acumulam alta de 3,0% até novembro, acima dos 2,8% registrados em outubro.

A divulgação desses dados sofreu atrasos em razão de uma paralisação de 43 dias do governo norte-americano. Ainda assim, as informações relativas aos preços ao produtor de outubro foram coletadas, ainda que com atraso.

Livro Bege aponta otimismo moderado nos EUA

O Livro Bege divulgado nesta quarta-feira pelo banco central dos EUA mostrou leve melhora em relação ao relatório anterior. O documento apontou que a atividade econômica cresceu na maior parte do país, enquanto o nível de emprego permaneceu praticamente estável.

As perspectivas para a atividade futura foram ligeiramente otimistas, com a maioria esperando um crescimento leve a modesto nos próximos meses

Fed

O relatório também indicou que os preços avançaram a uma “taxa moderada” na maior parte dos distritos, com exceção de dois, que relataram apenas “leve” aumento.

Essas informações tendem a ter impacto limitado sobre as expectativas para os juros americanos. A projeção predominante no mercado é de manutenção das taxas na próxima reunião de política monetária.

Wall Street recua com realização e rotação setorial

As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta quarta-feira em queda, em meio à avaliação de balanços corporativos e novos dados econômicos.

O movimento foi marcado por perdas no setor de tecnologia, em um cenário de rotação de recursos para áreas consideradas mais defensivas. Ações de instituições financeiras também fecharam em baixa, após resultados trimestrais que dividiram a opinião de analistas.

O Nasdaq registrou o pior desempenho, com queda de 0,96%, aos 23.481,19 pontos. O S&P 500 recuou 0,53%, para 6.927,03 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 0,07%, aos 49.158,62 pontos.

Europa reage a tensões geopolíticas e negociações sobre a Groenlândia

Os mercados europeus fecharam sem direção única, em meio à atenção voltada para uma reunião entre autoridades dos Estados Unidos, Groenlândia e Dinamarca sobre o futuro da ilha ártica.

As discussões giram em torno das tentativas do presidente Donald Trump de adquirir o território, apesar das negativas dos governos dinamarquês e groenlandês e de referências ao uso de força militar.

No fechamento, o STOXX 600 avançou 0,12%, enquanto o FTSE, de Londres, subiu 0,33%. Entre os principais índices em queda, o DAX, de Frankfurt, recuou 0,50%, e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,12%.

Ásia fecha mista com regulação na China e otimismo com IA

As bolsas asiáticas também apresentaram desempenho misto. Em Hong Kong, os índices encerraram em alta, enquanto os mercados chineses recuaram após reguladores elevarem exigências de margem com o objetivo de conter excessos especulativos, mesmo com volume recorde de negociações.

O dia foi marcado ainda por forte otimismo com empresas ligadas à inteligência artificial, o que impulsionou ações japonesas e levou o índice MSCI Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, a um novo pico.

No fechamento, os principais índices registraram: Nikkei +1,48% (54.341 pontos), Hang Seng +0,56% (26.999 pontos), Xangai SSEC -0,31% (4.126 pontos), CSI300 -0,40% (4.741 pontos), Kospi +0,65% (4.723 pontos), Taiex +0,76% (30.941 pontos) e Straits Times +0,11% (4.812 pontos).

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