Jornal diz que dono do Banco Master teria usado fundo de R$ 35 milhões para comprar participação de Toffoli em resort no PR

Reportagem aponta uso de estrutura de fundos e repasses fracionados; ministro afirma que operação foi declarada e nega ter recebido valores de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel

15/02/2026 às 22:09 por Redação Plox

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, utilizou um fundo de investimentos que movimentou R$ 35 milhões para comprar a participação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), no resort Tayayá, no Paraná. A operação foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

A pressão sobre Dias Toffoli foi o tema de reunião convocada por Edson Fachin com todos os ministros do STF

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Foto: Rosinei Coutinho/STF


A fatia de Toffoli no empreendimento estava registrada em nome da Maridt Participações S.A., empresa ligada ao ministro e aos irmãos dele, José Carlos e José Eugênio.

Estrutura dos fundos usados na operação

Segundo a reportagem, o fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos e também alvo de investigação da Polícia Federal (PF), tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Já o Leal é apontado como o único cotista do fundo Arleen, que teria sido usado para adquirir a parte da família Toffoli no resort Tayayá.

O Arleen se tornou sócio oculto das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos em 27 de setembro de 2021. Essas companhias são responsáveis, respectivamente, pela gestão e pela incorporação dos terrenos do resort.

Extratos bancários indicam que os repasses foram fracionados. De acordo com o jornal, Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e R$ 5 milhões no fundo Leal em 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano. Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.

Mensagens revelam pressão por repasses

O “Estadão” relatou que, em maio de 2024, Vorcaro enviou mensagens a Zettel para cobrar a situação dos aportes destinados ao resort Tayayá. Ele questionou o cunhado sobre o andamento dos pagamentos e recebeu como resposta que havia pedido prazo adicional para concluir a operação.

Na sequência, Zettel encaminhou a Vorcaro uma lista de pagamentos pendentes de aprovação. Uma das linhas trazia a indicação “Tayaya - 15”, interpretada pela PF como referência a um repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento. Após receber a relação, Vorcaro autorizou a execução dos pagamentos.

Em agosto de 2024, o dono do Banco Master voltou a cobrar o cunhado sobre a efetivação do negócio ligado ao Tayayá. Zettel respondeu que já havia repassado os valores a um intermediário, responsável por concluir o aporte final.

Conforme o diálogo descrito pelo jornal, Vorcaro demonstrou irritação e pediu explicações sobre a localização dos recursos. Zettel respondeu que o dinheiro estava no fundo apontado como dono do Tayayá e mencionou que faria a transferência das cotas correspondentes.

Zettel detalhou ainda que foram feitos aportes anteriores no resort, somando R$ 20 milhões em um primeiro momento e mais R$ 15 milhões em seguida. O aporte de R$ 15 milhões foi registrado em 8 de julho de 2024 no fundo Leal, mas o Arleen só recebeu R$ 14.521.851,17 em 10 de fevereiro de 2025.

Saída da Maridt do grupo Tayayá

Em 21 de fevereiro de 2025, a Maridt vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá para a PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.

Segundo a reportagem, Toffoli e a defesa de Vorcaro não se manifestaram. Os advogados de Zettel também não responderam aos questionamentos.

Posicionamento de Toffoli sobre a Maridt e o caso Master

Em nota divulgada em 12 de fevereiro, Toffoli reconheceu ser sócio da Maridt, mas afirmou que a administração da empresa é feita por familiares. O ministro disse que a companhia integrou o grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025, quando sua participação foi vendida à PHB Holding, em operação declarada à Receita Federal e, segundo ele, realizada dentro do valor de mercado.

Toffoli informou ainda que se tornou relator do caso Master no STF em 28 de novembro de 2025, quando a Maridt já não fazia mais parte do grupo Tayayá. O ministro declarou que desconhece o gestor do Fundo Arleen e ressaltou que não mantém relação de amizade com Vorcaro.

Por fim, o ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel

Dias Toffoli

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