Homenagem a Lula na Sapucaí tem aviso do Planalto, cautela do PT e alerta do TSE
Presidente deve assistir ao desfile da Acadêmicos de Niterói neste domingo (15); governo e PT orientam evitar símbolos partidários, e tribunal admite apuração posterior por possível propaganda antecipada
15/02/2026 às 17:10por Redação Plox
15/02/2026 às 17:10
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve acompanhar neste domingo (15/02/2026) o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A escola vai levar para a avenida um enredo sobre a trajetória do petista, em pleno ano eleitoral. A homenagem a Lula na Sapucaí acendeu alertas no governo, no PT e na Justiça Eleitoral: o Planalto trata a agenda com cautela, a sigla orientou militantes a evitar símbolos partidários no sambódromo, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já indicou que poderá analisar posteriormente se houve propaganda antecipada.
Antes de seguir para o Rio, o presidente Lula esteve no Carnaval de Salvador no sábado (14/2)
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Enredo sobre Lula e presença no camarote
Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói levará para a pista o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A escola está prevista para abrir a noite de desfiles na Sapucaí, com horário divulgado para as 21h45.
De acordo com informações da Rádio Itatiaia e do Poder360, Lula deve assistir à apresentação no camarote do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), após cumprir agendas de Carnaval em outras capitais.
Nos bastidores, a maior preocupação é evitar qualquer associação direta do desfile a um ato de campanha fora do período permitido. O risco é maior caso haja pedido explícito de voto, uso de slogans eleitorais ou mobilização organizada com símbolos de partido durante o evento.
Aviso do TSE e riscos de propaganda antecipada
O TSE analisou pedidos para barrar o desfile e a homenagem, mas rejeitou as liminares e manteve a apresentação. Ao mesmo tempo, o tribunal ressaltou que eventuais irregularidades poderão ser apuradas depois, a depender do que for exibido na avenida, especialmente se forem identificados elementos típicos de propaganda eleitoral antecipada.
Segundo relatos de O TEMPO e SBT News, a Corte indicou a possibilidade de monitoramento e responsabilização caso sejam constatados ilícitos ligados ao conteúdo do desfile, às mensagens exibidas e à forma como o evento for explorado politicamente.
Cautela do PT e estratégia de redução de danos
Do lado partidário, a Itatiaia informou que o Diretório Nacional do PT recomendou que militantes que forem ao sambódromo evitem roupas e adereços com menção ao partido ou à reeleição. A orientação busca reduzir o risco jurídico e conter o desgaste político em torno da homenagem a Lula na Sapucaí neste domingo.
Para a sigla, a decisão funciona como uma estratégia de “redução de danos”: a ideia é impedir que imagens da arquibancada ou de camarotes sejam usadas como prova em eventuais ações sobre propaganda eleitoral antecipada.
Impactos para governo, partido e escola
Para o governo e o presidente, a presença de Lula em um desfile que celebra sua trajetória amplia a exposição em um evento de grande audiência nacional. Ao mesmo tempo, aumenta o escrutínio sobre os limites entre agenda institucional, manifestação cultural e comunicação política em ano de eleição.
Para o PT e aliados, vale a tentativa de controlar o ambiente visual e simbólico, evitando bandeiras, camisetas e adereços diretamente ligados ao partido ou à disputa eleitoral.
Já para a Acadêmicos de Niterói e para a transmissão do Carnaval, o desfile permanece confirmado. Ainda assim, o conteúdo apresentado — letra do samba, alegorias, mensagens e eventuais falas — poderá ser alvo de questionamentos posteriores, caso extrapole a homenagem cultural e avance para pedido de voto ou promoção eleitoral explícita.
O que pode acontecer depois do desfile
A principal verificação deve ocorrer durante e após o desfile de 15/02/2026, com análise de imagens, falas e manifestações na avenida e nos camarotes.
Se partidos ou entidades apresentarem novas representações, o TSE poderá abrir apurações com base no material registrado no evento, incluindo transmissões, postagens em redes sociais e registros oficiais.
Enquanto isso, Planalto e PT tendem a calibrar sua comunicação pública — inclusive nas redes — para não reforçar a percepção de campanha antecipada, ponto já levantado nos pedidos que chegaram à Justiça Eleitoral e foram mencionados na cobertura do SBT News.