Toffoli atribui a Lula envio de relatório da Polícia Federal ao STF, diz imprensa
Relatos apontam que o ministro teria dito que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, agiu “em nome de Lula” ao encaminhar a Edson Fachin dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master; STF remeteu material à PGR
15/02/2026 às 08:29por Redação Plox
15/02/2026 às 08:29
— por Redação Plox
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A crise envolvendo o ministro Dias Toffoli e a investigação ligada ao Banco Master ganhou novo fôlego após a revelação de que o magistrado teria atribuído ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a iniciativa por trás do envio de um relatório da Polícia Federal (PF) ao Supremo Tribunal Federal (STF). O documento foi encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e aumentou a pressão para que Toffoli deixasse a relatoria do chamado “caso Master”.
Toffoli e Lula
Foto: Nelson Jr/SCO/STF; Ricardo Stuckert/PR
Toffoli vê Lula por trás de relatório da PF ao STF
De acordo com relatos divulgados na imprensa e reproduzidos por veículos nacionais, Toffoli estaria convencido de que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, atuou “em nome de Lula” ao enviar diretamente a Fachin um relatório com dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
Segundo essas publicações, o documento reuniria registros como mensagens e outros conteúdos que, na avaliação dos investigadores, apontariam possíveis conexões envolvendo o ministro. A chegada desse material à Presidência do STF intensificou a pressão interna e externa pela saída de Toffoli da condução do processo.
Paralelamente, a Presidência do STF remeteu o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise. O gesto reforçou o caráter institucional do episódio e elevou o nível de escrutínio sobre a permanência de Toffoli na relatoria.
Movimentação interna no Supremo e bastidores
Até agora, não há documento oficial do STF que registre, de forma literal, a fala atribuída a Toffoli sobre Lula. O que está confirmado, com base em publicações jornalísticas, é que Edson Fachin encaminhou o relatório da PF à PGR e discutiu o tema com outros ministros, diante do desgaste provocado pela menção ao nome de Toffoli no material policial.
Em meio ao avanço da crise, uma reunião de ministros do STF em 12 de fevereiro de 2026 resultou em uma nota interna, reproduzida pela imprensa, na qual se indicou que não caberia arguição de suspeição nos termos debatidos. Ao mesmo tempo, foi registrado que, por decisão do próprio Toffoli e por “altos interesses institucionais”, os processos relacionados ao caso seriam redistribuídos.
Efeitos sobre governo, STF e “caso Master”
Para o governo Lula, a interpretação de que o envio do relatório teria motivação política, ainda que sustentada por relatos de bastidores, aumenta o ruído entre o Planalto e órgãos de controle e investigação, com potencial de gerar cobranças por explicações públicas.
Para o STF, o episódio pressiona a Corte a demonstrar transparência sobre o fluxo do documento — o que foi enviado, a quem e com quais encaminhamentos — e a zelar pela credibilidade institucional, sobretudo quando nomes de ministros aparecem em relatórios policiais.
Para a investigação do “caso Master”, a saída de Toffoli da relatoria e a redistribuição do processo tendem a alterar ritmo e estratégia da tramitação, com possível reavaliação de decisões e pedidos pendentes. Esse movimento também amplia o protagonismo da PGR na triagem do material e na definição de próximos passos.
Próximos movimentos no STF e na PGR
A atuação da PGR será peça central na sequência do caso. O parecer do Ministério Público Federal sobre o conteúdo do relatório e as eventuais medidas a serem adotadas deve orientar os desdobramentos formais no STF.
Com a redistribuição da relatoria, conforme noticiado, a condução do processo passa ao novo ministro sorteado ou designado, que herdará os autos e os pedidos em curso e poderá reorganizar a tramitação.
A depender da repercussão política e institucional, não está descartada a divulgação de novas notas, manifestações públicas ou pedidos de informação sobre o caminho percorrido pelo relatório da PF até a Presidência do STF e sobre a motivação do envio direto a Edson Fachin.
Permanece em aberto um ponto sensível: a frase exata e o contexto completo da declaração atribuída a Toffoli sobre Lula seguem sem registro em documento oficial público, circulando apenas em relatos jornalísticos e repercussões, enquanto o foco da crise se mantém na imputação feita por Toffoli ao presidente sobre a entrega do relatório da PF ao STF.