Zema diz que crítica a evangélicos em desfile citado por Lula será levada à Justiça
Governador de Minas afirma que vai acionar a Justiça após informação sobre ala com caricatura de evangélicos e opositores do presidente em desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio
15/02/2026 às 22:02por Redação Plox
15/02/2026 às 22:02
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou neste domingo (15) que pretende acionar a Justiça contra uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Nas redes sociais, ele classificou o caso como “crime” e “preconceito religioso” contra evangélicos, ampliando a disputa política em torno dos limites entre manifestação cultural e propaganda em ano eleitoral.
Zema
Foto: Reprodução: X
Zema reage a ala com críticas a opositores de Lula
De acordo com o Estado de Minas, a reação de Zema se baseia em informações atribuídas a um “suposto livro Abre-Alas” do desfile. Esse material descreveria uma ala chamada “Neoconservadores em conserva”, que traria críticas a grupos identificados como opositores de Lula — entre eles, evangélicos — representados de forma caricata, “dentro de latas de conserva”.
Na publicação citada pela reportagem, o governador sustenta que o desfile teria “um bloco inteiro dedicado ao preconceito religioso” e afirma que o caso será levado ao Judiciário. Segundo o texto, ele escreveu que “levaremos esse crime à justiça”, reforçando a intenção de judicializar o episódio.
Em paralelo, a CNN Brasil informou que o roteiro do desfile divulgado pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) prevê alas com temas associados a marcas e bandeiras de governos petistas e a debates atuais, como “fim da escala 6x1” e “taxação BBB”.
Decisão do TSE e debate sobre Carnaval e política
Na esfera institucional, reportagem do R7, com referência a conteúdo do Estadão, registra que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou por unanimidade um pedido do Partido Novo para barrar o desfile da Acadêmicos de Niterói. A Corte entendeu que não seria possível reconhecer abuso de poder de forma preventiva, antes da realização do evento e da formalização de eventual candidatura, embora tenha assinalado que o Carnaval não deve se tornar “fresta para ilícito eleitoral”.
Até o momento considerado, não há informação pública detalhada sobre qual ação específica Zema pretende protocolar, qual tipo de crime estaria sendo alegado, em que instância a medida seria proposta, qual o pedido formal ou quem seria diretamente acionado. Também não há confirmação, até a noite de 15/02/2026, se já houve petição registrada.
Repercussões políticas, jurídicas e religiosas
A iniciativa anunciada por Zema projeta o governador mineiro para o centro de um embate nacional que envolve Lula, religião e Carnaval. Em Minas Gerais, a movimentação tem potencial de impacto na relação com o eleitorado, especialmente entre segmentos evangélicos, diretamente mencionados na polêmica.
No plano mais amplo, o episódio tende a intensificar discussões sobre liberdade de expressão artística, possíveis limites para críticas a grupos religiosos e eventual caracterização de preconceito. Também se somam questionamentos recorrentes em ano eleitoral, como o uso de recursos públicos em eventos culturais com forte conteúdo político e a exposição de autoridades em enredos e desfiles.
Do ponto de vista jurídico-eleitoral, a negativa do TSE em barrar preventivamente o desfile não afasta a possibilidade de novas ações após a passagem da escola pela avenida. Eventuais medidas dependerão do conteúdo efetivamente apresentado, de como eventuais representações forem formuladas e de uma eventual avaliação sobre se houve propaganda irregular ou discurso discriminatório.
O que ainda precisa ser esclarecido
Alguns pontos seguem em aberto e devem orientar os próximos desdobramentos do caso:
Verificar se a defesa de Zema ou o partido protocolou alguma ação formal, em qual instância (Justiça comum, eleitoral ou outra), com número de processo e pedidos específicos.
Ouvir a Acadêmicos de Niterói e a Liesa sobre a caracterização da ala “Neoconservadores em conserva” e o conteúdo do material oficial entregue a jurados (Abre-Alas), para confirmar autenticidade, intenção e contexto.
Acompanhar manifestações do Planalto e de lideranças evangélicas, tanto em apoio quanto em crítica, após o desfile.
Checar se o Ministério Público, em suas diferentes esferas, abriu algum tipo de procedimento a partir das declarações de Zema e do que vier a ser exibido na Marquês de Sapucaí.