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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), voltou a colocar no centro da agenda uma promessa que marcou a campanha eleitoral recente: oferecer semaglutida, princípio ativo associado ao Ozempic e a outros medicamentos da mesma classe, na rede pública municipal como estratégia de combate à obesidade. A discussão ganhou força com a publicação de medidas administrativas no início do novo mandato, entre elas a criação de um grupo de trabalho para estudar a viabilidade da oferta.
Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.
Foto: Luciola Villela | CMRJ
No primeiro dia de seu quarto mandato, Paes assinou um pacote de 46 decretos que estabelecem diretrizes para a nova gestão. Entre as iniciativas, aparece a intenção de incluir a semaglutida na rede pública municipal, dentro de um conjunto de ações que, em sua maioria, cria grupos de trabalho para estruturar projetos.
De acordo com informações publicadas pelo Valor Econômico, a proposta de uso da semaglutida surge ao lado de outras frentes anunciadas na mesma leva, como mudanças na atuação da Guarda Municipal e medidas relacionadas à candidatura do Pan 2031.
A ideia, porém, não é nova. Desde 2024, Paes vinha associando a semaglutida à política de saúde municipal. Em declarações divulgadas pelo UOL, ele defendeu que, se reeleito, colocaria o medicamento nas Clínicas da Família, vinculando a iniciativa ao enfrentamento da obesidade, e não a objetivos estéticos.
Em nota institucional, a Prefeitura do Rio informou que os decretos incluem a criação de grupos de trabalho encarregados de apresentar estudos sobre o eventual fornecimento de semaglutida na rede municipal, com foco específico no combate à obesidade.
Já O Globo detalhou que, no desenho inicial, a medida prevê um grupo de estudo responsável por formular a proposta de implementação. Segundo o jornal, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, explicou que o avanço da ideia depende do contexto de mercado e de produção do medicamento, incluindo negociações com laboratórios e a expectativa de maior concorrência à medida que o cenário de patentes evolui — processo condicionado a cronogramas regulatórios e industriais.
No campo regulatório, a Anvisa tem reforçado os controles sobre medicamentos agonistas de GLP-1, classe à qual pertence a semaglutida. Entre as medidas estão regras de venda com retenção de receita, motivadas por preocupações com eventos adversos e com o uso fora das indicações aprovadas.
Esse ambiente regulatório tende a impactar qualquer política pública que busque ampliar o acesso a tais medicamentos. Isso significa que uma eventual oferta na rede municipal exigirá protocolos clínicos bem definidos, rastreabilidade e acompanhamento rigoroso, alinhados às normas federais.
Na prática, se a proposta de Eduardo Paes avançar, pacientes da rede municipal poderão ter acesso a tratamento medicamentoso para obesidade, hoje de alto custo no varejo. A implementação, contudo, dependerá de critérios clínicos, disponibilidade orçamentária, logística de oferta e capacidade de acompanhamento, incluindo monitoramento de efeitos adversos, adesão e continuidade do cuidado.
Para o sistema municipal de saúde, a adoção da semaglutida exigiria protocolos de indicação, estrutura de monitoramento e integração com ações de alimentação saudável, promoção de atividade física e acompanhamento longitudinal na atenção primária, especialmente nas Clínicas da Família.
No debate público, a defesa do uso de semaglutida pelo prefeito combina comunicação política e política de saúde. O tema costuma ganhar repercussão porque os medicamentos dessa classe são caros e frequentemente associados à ideia de “emagrecimento rápido”, o que aumenta a pressão por regras claras para evitar uso indiscriminado e desvio de finalidade.
Os próximos passos passam pelo andamento do grupo de trabalho criado por decreto, incluindo prazos, relatórios e eventuais propostas de protocolo clínico e de estimativa de custos para a prefeitura.
Também será decisivo observar como será definido o público-alvo, com possíveis recortes por índice de massa corporal (IMC), presença de comorbidades, critérios de fila e contraindicações, além de eventual priorização de pacientes com maior risco cardiometabólico.
Outro ponto central será o monitoramento de compras públicas e negociações com a indústria, bem como a forma como o município pretende garantir fornecimento regular e alinhamento às regras da Anvisa para prescrição e dispensação.
Enquanto o grupo de trabalho não apresenta conclusões, a proposta de levar a semaglutida — e, por associação, o Ozempic — para a rede pública do Rio segue como uma das principais promessas da nova fase da gestão Eduardo Paes na área de saúde.