Partido Novo é citado em pedido de cassação de Erika Hilton por “misoginia”, mas não há registro público verificável

Após a deputada do PSOL-SP ser eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, circulou a informação de que o Novo teria protocolado uma representação; até 15/03/2026, a reportagem não encontrou confirmação documental em canais oficiais consultados.

15/03/2026 às 09:38 por Redação Plox

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) se tornou alvo de forte reação de parlamentares de direita após ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara, em 11 de março de 2026. Em meio à disputa política, passou a circular a informação de que o Partido Novo teria pedido a cassação do mandato da parlamentar por “misoginia”. Até a manhã de domingo (15/03/2026), contudo, a reportagem não encontrou registro público verificável desse suposto protocolo em canais oficiais consultados, motivo pelo qual o caso permanece como informação ainda em apuração.

Erika Hilton

Erika Hilton

Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados


Disputa em torno da presidência da Comissão da Mulher

Na quarta-feira (11/03/2026), Erika Hilton foi eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. A votação foi marcada por protestos, discursos de oposição e contestação à escolha de seu nome, com parte dos críticos defendendo que o colegiado deveria ser comandado por uma mulher cisgênero.

Após a eleição, a deputada afirmou que pretende conduzir os trabalhos com foco na pluralidade e no enfrentamento à violência contra mulheres, incluindo tanto mulheres cis quanto mulheres trans. A partir daí, intensificou-se o embate político em torno da legitimidade da presidência da comissão.

Nos dias seguintes, ganhou força a alegação de que o Partido Novo teria apresentado um pedido de cassação contra Erika Hilton por “misoginia”. Até o momento da checagem, porém, não foi localizada publicação oficial do Novo nem documento do Conselho de Ética que comprove o protocolo de uma representação com esse teor. A ausência desse registro não impede que o pedido exista, mas indica que ainda não há confirmação documental pública nas fontes analisadas.

O que consta nos registros da Câmara

O Portal da Câmara dos Deputados registrou a eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e detalhou o contexto de divergência política durante a instalação do colegiado. No material consultado, entretanto, não aparece menção a eventual pedido de cassação apresentado pelo Partido Novo por “misoginia”.

Em conteúdo divulgado pela Rádio Câmara, Erika Hilton reforçou que a comissão deve tratar da proteção e da dignidade de todas as mulheres, sem exceção, com foco no enfrentamento de diferentes formas de violência.

Possíveis efeitos de um pedido de cassação

Caso um pedido de cassação ou representação por quebra de decoro venha a ser de fato protocolado, o trâmite usual prevê análise de admissibilidade e processamento no Conselho de Ética. As sanções possíveis vão de advertência ou censura até a perda do mandato, a depender do enquadramento e do desfecho do processo. Esse cenário, porém, depende da confirmação de que o protocolo foi realizado e do conteúdo efetivo da representação.

No curto prazo, o principal impacto político é o aumento da pressão sobre a presidência da Comissão da Mulher e a intensificação do embate entre oposição e aliados em torno da permanência e da legitimidade de Erika Hilton à frente do colegiado.

Pontos que ainda precisam ser comprovados

A apuração segue com foco em três frentes principais:

  • Verificar, em documento oficial, se houve protocolo formal do Partido Novo – ou de parlamentar da sigla – no Conselho de Ética, com identificação de número da representação, data e fundamentação jurídica;
  • Checar se o partido divulgou alguma nota oficial sobre o caso e se Erika Hilton já foi formalmente notificada de eventual pedido de cassação;
  • Atualizar as informações assim que houver publicação do documento (PDF) ou registro oficial no sistema ou nos boletins da Câmara dos Deputados.

Até que esses elementos sejam confirmados, o “pedido de cassação de Erika Hilton por ‘misoginia’ atribuído ao Partido Novo” permanece em condição de informação não comprovada nos registros públicos acessados, em processo de verificação.

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