Implante de lente intraocular devolve visão e autoestima a paciente no Hospital Márcio Cunha

Procedimento indicado para altos graus de miopia foi realizado em Santana do Paraíso e utiliza lente desenvolvida no Brasil, tornando a técnica mais acessível.

15/04/2026 às 18:24 por Redação Plox

Um procedimento considerado inovador no Hospital Márcio Cunha tem mudado a rotina de uma paciente que convivia há anos com miopia severa. A técnica, com implante de lente intraocular, abriu a perspectiva de uma vida com mais autonomia e menos dependência de óculos ou lentes de contato.

Release - Procedimento inovador devolve qualidade de visão e autoestima a paciente no Hospital Márcio Cunha

Foto: Divulgação

Tecnologia recente no Brasil amplia opções de correção

Para a cirurgia, foi utilizada uma tecnologia recente no Brasil: o implante de uma lente intraocular produzida no país. O procedimento é indicado para pacientes com graus elevados, que não podem ser corrigidos por cirurgia refrativa a laser, e foi conduzido pelo oftalmologista do Hospital Márcio Cunha, Dr. Alberto Henrique.

A paciente, moradora de Santana do Paraíso, Wérica Araújo, de 32 anos, tinha 11 graus de miopia, condição que traz limitações importantes no dia a dia. Óculos espessos, pesados e de alto custo fazem parte da realidade de quem convive com graus elevados. Em muitos casos, a cirurgia a laser também não é indicada, especialmente quando a córnea é mais fina ou apresenta fragilidade estrutural.

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Como funciona o implante de lente intraocular

A cirurgia a laser não é indicada para pacientes que têm graus muito altos e uma córnea mais fina. Existe uma limitação em relação ao laser, porque a córnea precisa ter uma espessura adequada para retirar aquela quantidade de grau que o paciente possui. Quando isso não é possível, essa lente passa a ser uma excelente indicação.

Dr. Alberto Henrique

O procedimento consiste na introdução de uma lente especial dentro do olho, posicionada à frente do cristalino — estrutura natural responsável pelo foco da visão. Diferentemente da cirurgia de catarata, em que o cristalino é removido, neste caso nenhuma estrutura do olho é retirada.

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De acordo com o especialista, é feita uma pequena incisão, o olho é preenchido com um gel e a lente é introduzida à frente do cristalino. Ela fica apoiada no sulco ciliar e tem um desenho com pequenos orifícios de drenagem, o que ajuda a evitar complicações. Com isso, a paciente mantém a estrutura natural do olho e a capacidade de enxergar de perto e de longe.

Lente nacional torna o procedimento mais acessível

Um dos diferenciais do procedimento realizado no hospital é o uso de uma lente desenvolvida no Brasil. Lançada recentemente no mercado nacional, a tecnologia surge como alternativa mais acessível em comparação às lentes importadas utilizadas anteriormente nesse tipo de cirurgia.

Antes, a principal opção disponível era uma lente suíça, usada há anos em diversos países, mas com custo elevado no Brasil. A produção nacional, segundo o médico, amplia o acesso e abre novas possibilidades para pacientes que antes não conseguiam realizar o procedimento.

Recuperação rápida e melhora significativa da visão

A cirurgia é descrita como rápida e segura, feita com anestesia local e sedação. A recuperação, conforme o especialista, costuma ser satisfatória e os resultados aparecem rapidamente: no primeiro dia de pós-operatório, o paciente já pode apresentar melhora significativa, em torno de 80% a 90%, com expectativa de visão totalmente restaurada em cerca de uma semana.

Paciente relata mudança na autoestima e na rotina

Para Wérica Araújo, o resultado representa uma transformação na qualidade de vida e na confiança para atividades cotidianas. Ela relata que pilota e dirige e tinha grande dificuldade para enxergar de longe, cenário que mudou após a cirurgia, com melhora na clareza visual.

A paciente lembra que os desafios começaram ainda na infância, quando descobriu o problema de visão aos cinco anos. Na época, segundo ela, quase nenhuma criança usava óculos e ela era a única na sala. As lentes grossas e as armações grandes, além do preconceito, afetavam a autoestima. Ela também conta que evitava maquiagem por usar lente de contato e por conta do desconforto quando algo entrava na lente, já que os olhos eram sensíveis.

Sobre a cirurgia, Wérica destaca a tranquilidade do procedimento e a recuperação rápida. Ela afirma que não sentiu dor e que, algumas horas depois, já estava bem; no dia seguinte, retirou o tampão e seguiu usando óculos escuros. A melhora da visão, segundo o relato, também veio em poucos dias, após a retirada de uma lente de proteção do pós-operatório.

Procedimento reforça capacidade de atendimento do hospital

Para o especialista, a introdução da nova lente no país fortalece a capacidade de atendimento e amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com graus mais elevados, permitindo que casos mais desafiadores sejam resolvidos no próprio hospital, com uma solução descrita como segura e eficaz.

Hospital Márcio Cunha

O Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade, com 60 anos de atuação. A instituição possui 558 leitos e três unidades, sendo uma exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com serviços em áreas como ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular e oncologia adulto e infantil, entre outras.

No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias e mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.

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