Macacos celebra o fim do risco de barragem e vislumbra retomada do turismo

Comunidade de São Sebastião das Águas Claras aguarda retorno à normalidade após anos de temor

Por Plox

15/05/2024 14h51 - Atualizado há 30 dias

Após mais de cinco anos sob a ameaça iminente de um desastre ambiental, a comunidade de São Sebastião das Águas Claras, mais conhecida como Macacos, respira aliviada. Em 2019, a vida dos moradores mudou drasticamente quando as sirenes soaram, alertando para o perigo de rompimento da barragem B3/B4, operada pela mineradora Vale. O risco era de que 3,3 milhões de metros cúbicos de rejeitos atingissem o distrito. Agora, com a conclusão da descaracterização da barragem, a região, famosa por suas trilhas e cachoeiras, espera revitalizar o turismo que antes atraía milhares de visitantes.

Foto: VALE / DIVULGAÇÃO

Validação e obras adicionais em progresso A Vale anunciou recentemente que o processo de validação da descaracterização da barragem está em andamento junto aos órgãos competentes. Além disso, estão previstas obras de drenagem e revegetação. Apesar do término dos trabalhos principais, a zona ainda necessita de aval da Defesa Civil de Nova Lima para declarar o fim definitivo do risco. Enquanto isso, 27 famílias permanecem em moradias temporárias, aguardando o sinal verde para retornar a suas casas.

Repercussões e expectativas futuras Marcelo Bonfanti, presidente da Associação Comunitária de Macacos, expressa o alívio sentido pela comunidade. "Não ter mais essa barragem aqui em cima trouxe tranquilidade após anos de transtornos e sofrimento", declara Bonfanti. Ele também destaca a esperança na retomada das atividades turísticas e gastronômicas que marcavam a região antes da crise. Apesar do otimismo, o trauma psicológico persiste para muitos, segundo relatos de moradores como Daniela Costa, que descreve o som das sirenes como um gatilho contínuo de angústia.

Acordos e planos de indenização No fim de 2022, a Vale firmou um acordo de R$ 500 milhões para reparação e revitalização do distrito. Este acordo envolve a requalificação do comércio local e a transferência de renda para fortalecer o serviço público, além de atender às demandas das comunidades afetadas. Tanto o Ministério Público de Minas Gerais quanto a Defensoria Pública do Estado estão envolvidos neste acordo, garantindo uma supervisão adicional sobre a aplicação dos fundos.

A prefeitura local, consultada pela reportagem, ainda não respondeu sobre as medidas específicas de revitalização. No entanto, a expectativa é que, com a segurança restabelecida e o compromisso com a recuperação, São Sebastião das Águas Claras possa finalmente virar a página deste capítulo tumultuado.

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