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    Covid-19 mata sete vezes mais crianças no Brasil do que no Reino Unido, diz UFMG

    Pesquisa aponta que fatores como etnia, pobreza e o menor acesso à saúde pesaram tanto quanto comorbidades para o agravamento da doença

    Por Plox

    15/06/2021 19h11 - Atualizado há 3 meses

    Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da UFMG, publicada na quinta-feira (10) na revista The Lancet, traçou o perfil das crianças brasileiras hospitalizadas com Covid-19. O estudo concluiu que fatores como a vulnerabilidade social e menor acesso à saúde pesaram tanto quanto comorbidades para o agravamento da doença. A pesquisa contou com recursos da FAPEMIG e do CNPq.

     

    Vítima da doença tinha menos de 4 anos, informou a PBH Foto Foto: Pixabay
    Vítima da doença tinha menos de 4 anos, informou a PBHFoto: Pixabay

    Metodologia

    Foram analisados dados de 82.055 crianças internadas em hospitais brasileiros, públicos e privados, em 2020, com suspeita da doença. Destas, 11.613 tiveram comprovação laboratorial da infecção pelo coronavírus e foram incluídas na análise. Este é o maior grupo pediátrico diagnosticado com Covid-19 já pesquisado no mundo até o momento.

    Entre esses pacientes, 886 (7,6%) morreram no hospital. A taxa chama a atenção dos pesquisadores ao comparar com um grupo de crianças com Covid-19 no Reino Unido, que teve mortalidade de 1% (todas com comorbidades). “Entendemos que os poucos recursos disponíveis para a assistência à saúde, incluindo a pouca disponibilidade de UTI pediátricas, pode ter impactado nessa realidade”, destacam os pesquisadores no relatório.

    Fatores de risco.

    Entre os fatores de risco para maior mortalidade foram identificadas a idade, a etnia, a macrorregião geográfica de origem e a presença de comorbidades.

    No fator idade, a mortalidade foi maior entre menores de 2 anos e em adolescentes (entre 12 a 19 anos). Pacientes da região Nordeste ou Norte do país também tiveram maior risco de um desfecho adverso comparado aos da região Sudeste. Crianças indígenas tiveram pelo menos o dobro de risco de morte em relação às de outras etnias. Outro ponto observado foi o aumento progressivo da incidência de mortes a partir do número de comorbidades, ou seja, o risco do desfecho negativo é maior a cada doença pré-existente a mais que a criança tenha. 

    A probabilidade estimada de morte foi de 4,8% durante os primeiros 10 dias após a internação, 6,7% nos primeiros 20 dias e 8,1% ao final da análise. 

    “Fatores sociais e biológicos parecem estar intrinsecamente interligados e podem agir sinergicamente para aumentar o impacto da doença para esta população mais vulnerável”, entendem pesquisadores. Outro ponto que defendem é que as necessidades específicas de pacientes pediátricos mais suscetíveis devem ser consideradas no contexto de futuras direções para medidas preventivas e estratégias terapêuticas para esses grupos.  

    Dados.

    Os dados foram coletados do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), que é um banco de dados nacional com pacientes dos sistemas público e privado. A equipe da pesquisa extraiu do sistema todos os casos confirmados de covid-19 referentes à população pediátrica (menores de 20 anos), entre 16 de fevereiro de 2020 e 9 de janeiro de 2021.

    Fonte: https://www.otempo.com.br/cidades/covid-19-mata-sete-vezes-mais-criancas-no-brasil-do-que-no-reino-unido-diz-ufmg-1.2499363
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