Pesquisador explica o papel dos cães na cadeia de transmissão da febre maculosa

"O único organismo capaz de transmitir a doença aos humanos é o carrapato-estrela," Pinter sublinhou.

Por Plox

15/06/2023 11h23 - Atualizado há 10 meses

A recente notícia da morte de três pessoas por febre maculosa no estado de São Paulo gerou grande alvoroço, levando ao anúncio de um surto pela autoridades sanitárias. Uma das preocupações primárias dos proprietários de animais de estimação, em relação a esse assunto, é a possibilidade de seus pets transmitirem essa doença aos seres humanos.

Em meio a essas dúvidas, Adriano Pinter, veterinário e pesquisador do Instituto Pasteur, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, forneceu esclarecimentos numa entrevista concedida ao RPet. De acordo com Pinter, embora os cães possam contrair a febre maculosa, eles não funcionam como vetores de transmissão da doença para humanos. Contudo, podem transmitir a infecção para os carrapatos.

 

"O único organismo capaz de transmitir a doença aos humanos é o carrapato-estrela," Pinter sublinhou.

Ele continuou explicando que alguns animais podem servir como fontes de infecção para os carrapatos, que, em seguida, podem transmitir a febre maculosa para seres humanos. Esses animais são principalmente as capivaras e os cães. Quanto aos gatos, ainda não há informações suficientes disponíveis.

No entanto, é importante frisar que nem todos os animais são susceptíveis à febre maculosa. "Os cavalos e os bovinos não se infectam," salientou Pinter. "No que diz respeito aos animais domésticos, as informações atuais só confirmam que os cães podem contrair a infecção, desenvolvendo uma versão mais branda da doença."

A doença em cães manifesta-se através de sintomas como febre e inapetência, mas eles geralmente se recuperam. "É muito raro os cães evoluírem para um quadro ruim da doença," complementou Pinter.

Existem estratégias para prevenir a infecção em cães, como Pinter explica: "Recomendamos o uso de coleiras carrapaticidas. Há também produtos de administração oral, mas devido ao custo-benefício, a coleira é mais recomendada." Além disso, ele sugere aos proprietários de cães que evitem levar seus animais a ambientes com alta probabilidade de contaminação, como florestas e margens de rios, habitats comuns para capivaras.

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