Adolescente líder de crimes virtuais é capturado em Belo Horizonte

Eles obtêm informações sensíveis de adolescentes e fazem uma espécie de escravização virtual.

Por Plox

15/07/2023 07h36 - Atualizado há 9 meses

Um jovem de 16 anos foi detido recentemente em Belo Horizonte, após ser considerado suspeito de orquestrar uma série de crimes digitais por meio do Discord, um conhecido aplicativo de mensagens. Segundo as investigações da Polícia Civil, o menor estaria envolvido em casos de incentivo ao suicídio, exploração sexual de vulneráveis, tortura e até estímulo à zoofilia.

 

Foto: Reprodução/TV Globo

Atrocidades virtuais: Uma realidade alarmante

A plataforma Discord possibilita a comunicação ao vivo por vídeo dentro do aplicativo. Essa característica é manipulada por indivíduos mal-intencionados, pois, a menos que sejam gravados externamente, os eventos transmitidos não são registrados. De acordo com as informações divulgadas pela polícia, o jovem detido era o líder de um grupo que praticava crimes dentro dessa plataforma. A investigação aponta que ele tinha vínculos com outros jovens recentemente presos por crimes semelhantes.

O delegado da Delegacia de Crimes Cibernéticos, Ângelo Ramalho, descreveu como esses indivíduos atuavam: "Eles obtêm informações sensíveis de adolescentes e fazem uma espécie de escravização virtual. No caso dessa menina, foi subjugada, humilhada, sofrendo violência psicológica, física e sexual". Por sua vez, o Discord se manifestou, garantindo que "está empenhado em cooperar com as agências de aplicação da lei no Brasil, enquanto trabalha para o objetivo comum de prevenir danos".

Em um caso específico, a vítima, uma jovem de 13 anos, era coagida a se automutilar sob ameaça de ter suas informações sensíveis expostas. Detalhes mais chocantes vieram à tona quando o delegado Ramalho relatou que os infratores pediram à vítima para se envolver em atos de natureza sexual com um cachorro, chegando ao extremo de induzi-la a quebrar a pata do animal. Além disso, dentro de um grupo privado na plataforma, a jovem era obrigada a realizar ações como raspar a sobrancelha e introduzir objetos em si mesma, tudo sob a contagem regressiva dos agressores.

Ações policiais e cooperação internacional no combate ao crime virtual

O jovem foi encaminhado ao sistema socioeducativo e apesar de ter tentado apagar diversos arquivos em antecipação à ação policial, colaborou com as investigações, fornecendo informações sobre crimes cometidos por outros suspeitos. A prisão só foi possível graças à cooperação das forças de segurança brasileiras com organismos internacionais especializados em relatos de abusos e desaparecimentos infanto-juvenis.

No momento, a polícia concentra esforços na identificação de outras possíveis vítimas destes crimes. "O objetivo é trazer as vitimas pra luz, pra gente. A gente precisa identificá-las, elas são muitas", expressou o delegado Ramalho. De acordo com ele, muitas dessas vítimas são adolescentes vulneráveis, que enfrentam dificuldades de socialização e passam muito tempo no mundo virtual. Estas vítimas, normalmente atraídas por servidores de jogos online, acabam sendo levadas para grupos de namoro onde são acolhidas e incentivadas a compartilhar conteúdos pessoais, a partir dos quais são posteriormente chantageadas.

A Polícia Militar e a Polícia Civil lembram que as denúncias podem ser feitas pelo disque-denúncia, pelo número 181. Em situações de emergência, é recomendado acionar a Polícia Militar pelo 190.

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