Cleitinho diz que transferência de Bolsonaro para Papuda é perseguição política e cobra reação do Senado
Senador critica decisão de Alexandre de Moraes sobre envio de Bolsonaro à ala Papudinha, vê viés político nas decisões do STF, relaciona caso ao Banco Master e volta a defender impeachment do ministro
16/01/2026 às 13:12por Redação Plox
16/01/2026 às 13:12
— por Redação Plox
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O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) voltou a criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha, ala especial do Complexo Penitenciário da Papuda.
Cleitinho Azevedo reafirma sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, após afirmar que não apoiaria o deputado federal Eduardo Bolsonaro para presidência
Foto: (crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado)
Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar classificou a medida como “perseguição política” e fez um apelo para que deputados e senadores se articulem contra o ministro do STF. Cleitinho buscou vincular a decisão a uma escalada de tensões entre o núcleo bolsonarista e o Judiciário.
Comparação com Lula e críticas a Moraes e Toffoli
Na gravação, Cleitinho compara a situação de Bolsonaro à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cumpriu pena na sede da Polícia Federal em Curitiba durante a Operação Lava-Jato. Para o senador, a diferença de tratamento evidencia viés político nas decisões judiciais envolvendo o ex-presidente.
O parlamentar também citou o ministro Dias Toffoli e sugeriu que a transferência de Bolsonaro serviria para “desviar o foco” de notícias envolvendo ambos os ministros em apurações relacionadas ao Banco Master. Ao longo do vídeo, ele insiste na leitura de que o caso teria se tornado uma disputa pessoal entre Alexandre de Moraes e o ex-presidente.
Cobrança ao Congresso e defesa de impeachment
Cleitinho direcionou parte do discurso a parlamentares que receberam apoio de Bolsonaro nas eleições, afirmando que não cabe mais apelar à população ou esperar interferências externas. Segundo ele, a responsabilidade agora recai sobre o Congresso, especialmente sobre os senadores, que teriam instrumentos institucionais para reagir às decisões do STF.
Quem tem que tomar vergonha na cara e intervir são os nossos senadores, nós que temos a prerrogativa — senador Cleitinho Azevedo
O senador mineiro defendeu o fim do recesso parlamentar para acelerar a análise de pautas de interesse do grupo bolsonarista no Congresso. Ele mencionou a derrubada do veto presidencial à redução de penas como um “primeiro passo” nessa estratégia e voltou a defender a abertura de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes, apresentado como eixo central de sua agenda política.
Condições da Papudinha e rotina de Bolsonaro
A transferência de Bolsonaro para a Papudinha foi determinada por Moraes para o 19º Batalhão da PM do Distrito Federal, unidade especial que abriga principalmente autoridades, policiais e militares condenados. No mesmo complexo também está preso o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
De acordo com informações do sistema penitenciário do DF, a cela destinada ao ex-presidente tem 65 metros quadrados — 55 deles cobertos — e capacidade para quatro pessoas, embora ele esteja sozinho no espaço. O ambiente dispõe de quarto, sala, banheiro, cozinha, lavanderia e área externa, em condições consideradas mais confortáveis que a sala da PF onde Bolsonaro se encontrava.
Bolsonaro passa a ter direito a cinco refeições diárias (café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia) e a um regime de visitas mais flexível, com encontros de até duas horas às quartas e quintas-feiras. O regulamento interno permite o uso de roupas coloridas e a entrada de alimentos e itens bloqueados nas alas comuns da Papuda. A estrutura foi inspecionada previamente pelo gabinete de Alexandre de Moraes, em novembro, antes da efetivação da prisão do ex-presidente.