Quem é a delegada presa em SP acusada de vínculos com o PCC logo após tomar posse
Ex-advogada criminalista Layla Lima Ayub, que tomou posse como delegada em dezembro de 2025, é alvo de operação do MP-SP por supostamente atuar irregularmente na defesa de preso ligado ao PCC, manter relação com chefe do tráfico em Roraima e usar cargo para favorecer interesses da facção
16/01/2026 às 13:40por Redação Plox
16/01/2026 às 13:40
— por Redação Plox
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Presa sob suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a recém-empossada delegada Layla Lima Ayub, ex-advogada criminalista, namora um dos apontados chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima.
Layla foi detida temporariamente na manhã desta sexta-feira (16) durante operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A reportagem tenta localizar a defesa da investigada.
De acordo com a investigação, a delegada é suspeita de ter exercido de forma irregular a advocacia ao atuar em audiências de custódia na defesa de presos ligados a organizações criminosas, mesmo já ocupando o cargo de delegada. A prática é vedada pelo Estatuto da Advocacia e por normas estaduais.
Informações do currículo Lattes indicam que Layla acumula passagens por diferentes instituições da área de segurança pública.
A delegada recém-empossada Layla Lima Ayub é suspeita de advogar para o PCC
Foto: Reprodução/Redes sociais
Carreira na segurança pública e formação acadêmica
Entre 2014 e 2022, Layla atuou como policial militar no Espírito Santo. Antes, foi estagiária na Defensoria Pública do mesmo estado, em varas especializadas em tráfico de drogas, homicídio e crimes de trânsito, conforme consta no Lattes.
Formada em Direito pela Faculdade do Espírito Santo em 2016, ela realizou pós-graduações em Direito Penal, Direito Constitucional, Docência no Ensino Superior, Gestão, Direito Processual Penal, Ciência Forense e Perícia Criminal.
Em março do ano passado, Layla passou a integrar a Comissão da Criança e do Adolescente da OAB Subseção Marabá, no Pará, segundo divulgado pela própria entidade nas redes sociais.
Layla tomou posse em dezembro de 2025, durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes.
Foto: Montagem/g1/Reprodução
Posse em São Paulo e relação com suspeito de chefiar tráfico
Layla tomou posse como delegada em São Paulo em 19 de dezembro de 2025, em solenidade realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.
Na cerimônia, conforme imagens publicadas nas redes sociais, ela estava acompanhada do namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel. Ele é apontado por autoridades da Região Norte como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima.
A pedido do Ministério Público, a Justiça decretou a prisão temporária de Layla e de Dedel. O casal é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Além dos mandados de prisão, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Marabá (PA). Um dos alvos da operação foi a Academia da Polícia Civil, no Butantã, Zona Oeste da capital paulista, onde a delegada mantinha um armário funcional.
Layla já foi policial militar do Espírito Santo
Foto: Reprodução/Redes sociais
Suspeita de uso do cargo para favorecer facção
Segundo o Ministério Público, em 28 de dezembro do ano passado — nove dias após assumir o cargo de delegada na capital paulista — Layla atuou como advogada na defesa de um dos quatro suspeitos ligados ao PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, a 523 quilômetros de Belém.
A conduta é proibida pelo Estatuto da Advocacia e por normas estaduais, que impedem delegados de polícia de exercerem a advocacia privada.
Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) suspeitam que a delegada utilizava o cargo para favorecer interesses da facção. Como delegada, ela teria acesso a inquéritos e a bancos de dados com informações restritas.
As investigações também apontam que Layla e o namorado teriam comprado uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com recursos de origem ilícita, usando o nome de um “laranja” para ocultar a real propriedade do estabelecimento.