Dono do Banco Master é acusado de usar empresa de cunhado para comprar mansão de R$ 36 milhões

Investigação aponta que Daniel Vorcaro utilizou a Super Empreendimentos, ligada a Fabiano Zettel, em esquema de empréstimos fraudulentos e rede de fundos suspeitos para aquisição e revenda de mansão no Lago Sul, em Brasília

16/01/2026 às 08:41 por Redação Plox

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, usou um empréstimo desviado do próprio banco para comprar uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília, segundo investigação. A operação foi realizada por meio da Super Empreendimentos e Participação, empresa que, de acordo com Vorcaro, tem como sócio seu cunhado, Fabiano Zettel.

Aquisição foi feita por meio da Super Empreendimentos e Participação, empresa que tem como sócio o cunhado do bancário, Fabiano Zettel.

Aquisição foi feita por meio da Super Empreendimentos e Participação, empresa que tem como sócio o cunhado do bancário, Fabiano Zettel.

Foto: Divulgação.


A Super aparece em uma lista, com 35 companhias suspeitas de tomar empréstimos fraudulentos do Master para alimentar uma rede de fundos que, segundo investigadores, desviava recursos do banco para laranjas e, assim, retroalimentava o próprio Banco Master.

Empresa do cunhado e suspeita de ilegalidade

 À época do financiamento, Zettel era um dos diretores da Super. Ele deixou o quadro societário em 23 de julho de 2024, sendo substituído por uma funcionária.

Zettel foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance, deflagrada na quarta-feira (14) pela Polícia Federal. Ele chegou a ser preso ao tentar embarcar para Dubai, mas foi liberado horas depois.

Compra e revenda da mansão no Lago Sul

Em 8 de maio de 2024, a Super comprou a mansão no Lago Sul usada por Vorcaro em suas estadias em Brasília. A existência do imóvel havia sido revelada anteriormente pela Folha.


Quase um ano depois, em 11 de abril de 2025, a Super revendeu a casa para a Prime Aviation 4 Participações, empresa que integra o grupo Prime You, do qual Vorcaro é sócio. A transação não foi registrada na matrícula do imóvel, mas foi identificada pela Folha ao obter a escritura. O imóvel foi revendido pelo mesmo valor da compra, R$ 36,1 milhões.


Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou em nota que a relação do ex-banqueiro com a Super é comercial, envolvendo compra e venda de ativos e contratos de locação, e destacou que um dos sócios da empresa é cunhado de Vorcaro, fato descrito como de conhecimento público.

Estrutura de fundos e capital bilionário

A Super pertence ao fundo Termópilas, cujo cotista único é o fundo Astralo 95. Este fundo está entre os seis identificados pelo Banco Central como parte de uma ciranda de fraudes envolvendo o Banco Master, conforme denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal.


O Termópilas ingressou no grupo de controle da Super em dezembro de 2023, quando o capital social da empresa saltou de R$ 16 milhões para R$ 1,3 bilhão. Em junho de 2024, esse valor subiu para R$ 2,1 bilhões e, em julho do mesmo ano, para R$ 2,6 bilhões, patamar que permanece até hoje.

Riscos de infração a regras de fundos e tributos

Para a pesquisadora da FGV Direito Rio Layla McClaskey, a operação é problemática tanto se Vorcaro for cotista do Astralo 95 (e, por consequência, do Termópilas) quanto se não for. Na hipótese de o fundo pertencer a Vorcaro ou ao banco, ela aponta um “problema enorme” com regras da CVM e do Fisco, por ferir princípios de lealdade, diligência e transparência em operações com partes relacionadas.


As normas citadas por McClaskey determinam que, em negócios entre fundos e partes relacionadas, a movimentação deve ser claramente indicada e o ganho para o fundo explicitado. Para a pesquisadora, a operação simula um investimento sem que efetivamente o seja, o que caracterizaria fraude.


Ela também considera problemática a revenda do imóvel pelo mesmo valor da compra, por permitir a evitação do pagamento de Imposto de Renda, já que não há lucro declarado. Se Vorcaro ou o Banco Master não forem os beneficiários finais do fundo, a situação seria ainda mais grave, pois, nesse cenário, todos os cotistas estariam sendo prejudicados.

Possível forma de retirar recursos do banco

Um ex-dirigente da CVM, que falou sob condição de anonimato, avaliou que a estrutura de fundos e empresas pode ter sido usada como forma de Vorcaro retirar dinheiro do banco sem recorrer ao pagamento de dividendos. Dividendos são calculados sobre o lucro, o que limita o montante que pode ser repassado ao controlador. Com a engenharia financeira descrita, seria possível ampliar a retirada de recursos da instituição.

Outros negócios da Super

Além da mansão em Brasília, a Super participa de outros empreendimentos. A empresa tem participação em uma companhia que integra o consórcio administrador do Minascentro, centro de convenções em Belo Horizonte, e figura na sociedade de duas empresas ligadas a esportes em São Paulo.

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