Toffoli reduz prazo para novos depoimentos em inquérito sobre fraude bilionária com banco Master

Ministro do STF encurta de cinco para dois dias o prazo dado à PF para oitivas em investigação sobre venda de carteira de crédito falsa de R$ 12 bilhões ao BRB e autoriza acesso a provas pela PGR e PF

16/01/2026 às 16:32 por Redação Plox

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), reduziu de cinco para dois dias o prazo para que a Polícia Federal (PF) realize novos depoimentos de investigados no caso de fraude bancária envolvendo o Master. As oitivas, inicialmente previstas para ocorrer entre os dias 23 e 28 de janeiro, deverão agora ser concentradas em dois dias consecutivos.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF)

Foto: ROSINEI COUTINHO/STF


PF pede ajuste em cronograma de depoimentos

O despacho, assinado nesta sexta-feira (16), atendeu a um pedido da própria PF. Toffoli determinou que a corporação apresente um novo cronograma, levando em conta a limitação de pessoal e de salas disponíveis no STF, conforme informou a Folha de S.Paulo.

Quem já foi ouvido e quem ainda será

Até agora, prestaram depoimento o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique da Costa, que deverão ser ouvidos pela segunda vez, e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Entre as novas oitivas previstas estão a do ex-sócio do Master, Augusto Lima, e a do ex-diretor Luiz Antônio Bull.

Também devem depor o ex-diretor financeiro do BRB, Dario Oswaldo, e o superintendente de operações do banco, Robério Mangueira. A PF apura a atuação de cada um dos investigados na venda de uma carteira de crédito falsa do Master ao BRB, operação estimada em cerca de R$ 12 bilhões.

Versão de Vorcaro e reação ao Banco Central

Em depoimento, Vorcaro negou ter vendido os títulos envolvidos na negociação e criticou a decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial de seu conglomerado, em novembro de 2025. O empresário e o Master foram alvos da operação Compliance Zero, cuja segunda fase foi deflagrada na quarta-feira (14).

Uso de fundos de investimento no esquema

A nova etapa da operação mirou o uso de fundos de investimento no esquema do Master. Segundo a investigação, o banco ligado a Vorcaro utilizaria essas estruturas para inflar sua capitalização, desviando recursos aplicados nos rendimentos. Além do empresário, foram alvo da ofensiva João Carlos Mansur, sócio-fundador da Reag Investimentos, liquidada na quinta-feira (15), e o investidor Nelson Tanure.

Críticas da Corte a atrasos e manejo de provas

Na decisão que autorizou a operação, Toffoli criticou a Polícia Federal pelo atraso na deflagração da ofensiva, que estava prevista para o dia 13 de janeiro. No documento, o ministro afirmou que a demora no cumprimento de ordens judiciais colocou a investigação em risco concreto.

Toffoli determinou inicialmente que as provas apreendidas fossem trancadas no STF, mas recuou em seguida e autorizou que a Procuradoria-Geral da República e a PF analisassem o material. A mudança ocorreu após alertas sobre o risco de perda de dados armazenados em aparelhos eletrônicos, caso ficassem inacessíveis por muito tempo.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a