Minas Gerais se consolida como protagonista global em minerais críticos e transição energética
Com quase metade das reservas brasileiras de terras raras e investimentos de R$ 18,12 bilhões até 2025, Minas Gerais atrai projetos em nióbio e lítio e debate, em seminário em Belo Horizonte, como agregar valor à cadeia mineral e impulsionar uma matriz de baixo carbono
16/01/2026 às 10:05por Redação Plox
16/01/2026 às 10:05
— por Redação Plox
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Minas Gerais assume um papel central na corrida global por minerais críticos, insumos considerados essenciais para a transição energética e para a descarbonização da economia. O Estado concentra a maior parte das reservas brasileiras de terras raras, grupo de elementos químicos indispensáveis para tecnologias de energia limpa, eletrificação de veículos, telecomunicações e equipamentos de defesa.
Esse potencial será tema de debate em mais uma edição de O TEMPO Seminários – Transição Energética, que será realizada em 27 de janeiro, em Belo Horizonte. O encontro pretende promover a troca de experiências, conhecimento e estratégias entre lideranças empresariais sobre um dos principais temas que definem o futuro da economia. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela plataforma Sympla.
Extração, em Minaçu (GO), de elementos essenciais à fabricação de ímãs permanentes, usados em veículos elétricos
Foto: Divulgação
Terras raras e liderança mineira na transição energética
As chamadas terras raras englobam 17 elementos químicos. Apesar do nome, não são necessariamente escassas, mas a exploração econômica é complexa e de alto custo, o que as torna recursos altamente estratégicos. Pesquisas da Agência Nacional de Mineração (ANM) indicam que as reservas calculadas em Minas Gerais giram em torno de 10 milhões de toneladas, quase a metade do volume identificado em todo o território nacional.
Araxá, no Alto Paranaíba, é o principal destaque. O município concentra praticamente todas as reservas mineiras de terras raras e responde por 98,4% do total do Estado, segundo a ANM. Também aparecem no mapa desses recursos Poços de Caldas, São Gonçalo do Sapucaí e Tapira, de acordo com o subsecretário de Atração de Investimentos e Cadeias Produtivas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), Daniel Medrado.
Para ele, a combinação entre matriz elétrica majoritariamente renovável e abundância de minerais críticos coloca Minas em posição estratégica no cenário internacional da descarbonização.
É impossível você falar de transição energética sem falar de Minas Gerais no cenário mundial. E porque Minas Gerais além de ter, obviamente uma matriz energética que seja verde, para fazer a transição energética, necessariamente os processos passam pelos minerais mais críticos e estratégicos e as principais reservas do mundo estão no Brasil e estão em Minas Gerais
Daniel Medrado
Entre os exemplos citados por Medrado está o nióbio, metal do qual o Brasil detém 96% das reservas mundiais. Desse total, 48% estão em Minas, sobretudo na região de Araxá, sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), que mantém contrato de exploração com a CBMM. Outro destaque é o lítio: 85% das reservas nacionais estão em Minas, principalmente no Vale do Jequitinhonha.
Desafio de agregar valor à cadeia mineral
Apesar da vasta oferta de recursos, o Estado ainda enfrenta o desafio de diversificar e verticalizar a cadeia mineral. Medrado cita como referência a China, que concentra as maiores reservas mundiais de terras raras e domina as tecnologias de processamento, separação e fabricação de produtos de maior valor agregado.
Segundo o subsecretário, o objetivo é fazer com que a extração mineral resulte em produtos sofisticados, gerando mais riqueza, inovação e empregos qualificados em Minas. Os processos envolvendo terras raras, porém, são complexos, caros e exigem avanços constantes em tecnologia e capacitação.
Investimentos bilionários em minerais críticos
Dados da Sede-MG mostram que, entre 2019 e 2025, Minas Gerais recebeu R$ 18,12 bilhões em investimentos voltados ao setor de minerais críticos. O montante é capaz de gerar até 7,6 mil empregos diretos ao longo da cadeia produtiva.
O principal aporte partiu da Terra Brasil Minerais, que implantou em Patos de Minas um projeto que somou R$ 2,5 bilhões em investimentos. Também já atuam no Estado empresas como a Meteoric Resources e a MTR, ambas em Poços de Caldas.
Medrado destaca que os investimentos começam ainda na fase de pesquisa de solo e se estendem por toda a cadeia mineral, do estudo geológico ao processamento, passando pela infraestrutura e pela industrialização. Para os próximos anos, a expectativa é de manutenção do ritmo dos aportes e de expansão do protagonismo mineiro nesse segmento.
Ele ressalta que ainda não é possível estimar com precisão o volume de arrecadação futura, mas aponta que, em razão da transição energética e das reservas existentes, a indústria mineral tende a gerar um fluxo financeiro significativo para Minas nas próximas décadas. O subsecretário lembra que o plano estadual de mineração estabelece um marco até 2040, com a atividade exercendo papel central no desenvolvimento econômico do Estado.
Painéis destacam energia, indústria verde e financiamento
A programação de O TEMPO Seminários será estruturada em painéis temáticos. O primeiro terá apresentação do presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Reynaldo Passanezi, que vai abordar a liderança da estatal na transição energética.
No segundo painel, dedicado à “energia para o futuro” e aos desafios de regulação, planejamento e desenvolvimento regional, participam o secretário de Leilões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Ivo Sechi Nazareno; o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar de Minas Gerais (SIAMIG Bioenergia), Mário Campos; e o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Marcos Madureira.
A penúltima mesa redonda discutirá a nova indústria verde. Nesse painel, o diretor sênior de Relações Institucionais da Usiminas, André Chaves; o vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, João Irineu Medeiros; o CFO de Projeto de Investimento e Estratégia da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e Mineração do Brasil, Fábio Paiva Scárdua; e o diretor de Descarbonização da Vale, João Luiz Turchetti Lara Rezende, vão detalhar as ações adotadas pelas empresas na busca por fontes renováveis de energia.
Encerrando a programação, o subsecretário de Atração de Investimentos e Cadeias Produtivas da Sede-MG, Daniel Medrado; a superintendente de Planejamento do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Cinthia Bechelaine; o CEO da H2 Brasil, Pedro Caçorino; e o presidente da Gasmig, Carlos Camargo de Colón, vão discutir a trajetória de Minas Gerais rumo a uma nova matriz energética, baseada em inovação, baixo carbono e competitividade.
Serviço: como participar do seminário
O seminário “Energia para o Futuro” será realizado no Centro de Convenções da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), na avenida João Pinheiro, 161, Centro de Belo Horizonte. Os interessados em acompanhar presencialmente os debates devem retirar ingressos gratuitos pela plataforma Sympla.