Monotrilho Aeromovel para em via no Aeroporto de Guarulhos
Veículo que ligará terminais de Cumbica à Linha 13-Jade da CPTM teve parada de segurança em meio à forte chuva; sistema acumula quase dois anos de atraso, passa por vistoria da Anac e segue sem data para início da operação comercial
16/01/2026 às 08:25por Redação Plox
16/01/2026 às 08:25
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
O Aeromovel, monotrilho que vai ligar os terminais do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, à Linha 13-Jade da CPTM, parou no meio da via na noite de quinta-feira (15). Funcionários do aeroporto que estavam a bordo precisaram descer do veículo e caminhar sobre os trilhos até uma área segura.
Serviço está em fase de testes e transportava funcionários.
Foto: Divulgação/SP Sobre Trilhos.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram seguranças do consórcio AeroGru, responsável pela operação do trecho, orientando o desembarque e a saída das pessoas da faixa de rolamento. As imagens já foram divulgadas com os rostos dos funcionários borrados.
Em nota, a concessionária informou que a ocorrência foi uma parada de segurança realizada sobre um desvio de mudança de via, motivada pela forte chuva que atingia a região no momento do incidente. A empresa também afirmou que não houve descarrilamento e que todos os ocupantes foram desembarcados em segurança.
Operação segue em fase de testes e com atrasos
O sistema começou a operar em 4 de dezembro, ainda em fase de testes, restrito a passageiros convidados e trabalhadores do aeroporto. O lançamento do Aeromovel já foi adiado ao menos quatro vezes e, desde então, o serviço experimental tem atendido apenas funcionários.
No início de outubro, uma vistoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontou que os sistemas de automação, controle e operação do monotrilho ainda não estavam concluídos, o que impede a liberação para operação comercial. Técnicos da agência consideram que o projeto ainda apresenta falhas relevantes, e não há previsão para abertura ao público.
A entrega inicial estava prevista para fevereiro de 2024, mas o cronograma acumula quase dois anos de atraso. Enquanto isso, passageiros que desembarcam na Estação Aeroporto-Guarulhos, da CPTM, continuam dependendo de ônibus para chegar aos terminais. Esses veículos, que deveriam funcionar de forma provisória, operam desde 2018, ano de inauguração da estação.
1ª composição do "people mover" entregue no Aeroporto Internacional de SP, em Guarulhos.
Foto: Divulgação/Governo Federal.
De acordo com o contrato de concessão do Aeroporto de Guarulhos, o transporte automatizado faz parte das obrigações da concessionária, cabendo à Anac fiscalizar a implementação e verificar o cumprimento das cláusulas previstas. A agência avalia a aplicação de sanções pela demora na conclusão das obras e pelas pendências técnicas em aberto, além de cobrar um novo cronograma de entrega.
Como funciona o Aeromovel
Voltado para a ligação rápida entre a CPTM e os terminais do aeroporto, o Aeromovel foi projetado com interior semelhante ao do Expresso Aeroporto, mas com menos assentos e mais espaço para bagagens, por se destinar majoritariamente a passageiros aéreos e ter um trajeto curto.
O trem utiliza tecnologia de propulsão pneumática: o ar é pressurizado por ventiladores de alta eficiência e injetado no interior da via elevada, empurrando ou puxando uma placa de propulsão fixada ao veículo, que se desloca sobre trilhos ferroviários com rodas de aço. Circuitos de propulsão independentes criam blocos de controle específicos para cada composição.
O sistema tem 2.700 metros de extensão e três veículos projetados para transportar até 200 passageiros cada. A primeira composição foi entregue em Cumbica em março de 2024.
Operação simulada e posicionamento do consórcio
Desde 1º de outubro, o monotrilho vinha operando em regime de simulação, inicialmente sem passageiros, por oito horas diárias. Posteriormente, a operação passou a incluir funcionários do aeroporto e convidados, em caráter de teste.
O Consórcio AeroGru informou que o sistema já passou por mais de 15 mil testes de desempenho e segurança e que se encontra funcional, aguardando a conclusão das etapas finais de certificação. Segundo a concessionária, a entrada em operação deve ocorrer de forma faseada, com ampliação gradual da capacidade até atingir o regime pleno, seguindo recomendações da entidade certificadora e padrões internacionais para sistemas automatizados de transporte em grandes aeroportos.
Histórico, questionamentos e responsabilidades
O monotrilho, inicialmente apresentado como “People Mover” e anunciado em 2019, foi alvo de questionamentos do Tribunal de Contas da União, que apontou falta de estudos que comprovassem a viabilidade do modal como melhor solução para o aeroporto. As obras chegaram a ser paralisadas em setembro de 2021 e só foram retomadas no ano seguinte, após o governo de São Paulo responder às irregularidades apontadas em auditorias do tribunal.
A GRU Airport é responsável pela construção e operação do sistema, enquanto o fornecimento dos veículos cabe ao consórcio AeroGru. O projeto continua sem data definida para começar a transportar o público em geral, mesmo com a infraestrutura física já implantada e parte das composições entregue.