PGR vê indícios de fraude em fundos usados por Daniel Vorcaro na SAF do Atlético
Investigação ligada ao Banco Master aponta possível desvio de R$ 1,45 bilhão por meio dos fundos Astralo 95 e Reag Growth 95 e levanta dúvidas sobre controle do Galo Forte FIP na compra da SAF do Atlético
16/01/2026 às 12:22por Redação Plox
16/01/2026 às 12:22
— por Redação Plox
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BRASÍLIA – A Procuradoria-Geral da República (PGR) identificou indícios de fraude e confusão patrimonial em um fundo usado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para investir no Atlético. As suspeitas constam no pedido de busca e apreensão que deu origem à operação realizada nesta semana contra pessoas ligadas ao Banco Master, instituição controlada por Vorcaro.
Banqueiro Daniel Vorcaro
Foto: Foto: Banco Master/Divulgação
PGR mira uso de fundos e movimentação bilionária
De acordo com a PGR, o fundo Astralo 95, utilizado no aporte de cerca de R$ 300 milhões no clube, está entre os veículos que, segundo comunicação do Banco Central, teriam servido para desviar recursos do próprio Banco Master. O Astralo 95 operou em conjunto com o Reag Growth 95 e, entre abril e maio de 2024, os dois fundos movimentaram aproximadamente R$ 1,45 bilhão em recursos do Master, conforme revelou o portal UOL.
Estrutura de controle do investimento sob questionamento
A reportagem aponta que o pedido da PGR também levanta dúvidas sobre quem, de fato, controla a cadeia de fundos. Até novembro de 2024, o Astralo 95 detinha 100% das cotas do Galo Forte FIP, veículo usado para adquirir cerca de um quarto da Galo Holding S.A., empresa que controla a SAF do Atlético. A partir de dezembro, a estrutura mudou: 80% das cotas passaram a ser atribuídas a Daniel Vorcaro, e 20% permaneceram com o Astralo 95.
Para a PGR, esses dados entram em aparente contradição com informações de conhecimento público que já apontavam Vorcaro como proprietário do Galo Forte FIP desde o fim de 2023. Na avaliação do órgão, essa inconsistência reforça as suspeitas de confusão patrimonial e embaralha a identificação do verdadeiro controlador dos recursos.
Beneficiários finais e origem do dinheiro
Os principais beneficiários finais declarados do Astralo 95 são parentes de João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, liquidada por decisão do Banco Central. A PGR, porém, teria identificado incertezas sobre quem realmente comandava as operações dos fundos.
A análise que embasou a operação indica que o fundo usado para comprar a participação no Atlético teria sido alimentado com recursos desviados do Banco Master, embora o documento não detalhe a origem específica dos aproximadamente R$ 300 milhões investidos no clube.
Posicionamentos de Atlético e defesa de Vorcaro
Procurado, o Atlético informou que não irá se pronunciar sobre o assunto. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até a publicação desta reportagem, e o espaço permanece aberto para eventual posicionamento.