Globo inova na cobertura jornalística ao citar nomes de facções criminosas

Em uma decisão pioneira sob a gestão de Ricardo Villela, novo diretor de jornalismo desde janeiro, a Globo adotou a política de mencionar explicitamente as facções criminosas em suas reportagens

Por Plox

16/02/2024 10h31 - Atualizado há cerca de 2 meses

Essa atualização na linha editorial, que começou a ser efetivamente aplicada em 14 de fevereiro de 2024, marca uma grande virada na abordagem jornalística da emissora. A decisão veio à luz após a necessidade de cobrir a fuga de dois homens do presídio de segurança máxima de Mossoró (RN), identificando-os como membros do Comando Vermelho.

Foto: Reprodução/ TVGlobo

Essa mudança estratégica reflete um novo entendimento sobre a cobertura de conflitos entre facções criminosas, contrastando com a prática anterior de não divulgar os nomes das organizações para evitar promoção inadvertida. Essa política não oficial, mantida desde a década de 1980, era defendida por antigos diretores como Ali Kamel, que se preocupava com a repercussão da divulgação dos nomes em casos sensíveis, como o sequestro do jornalista Guilherme Portanova pelo PCC em 2006.

A nova diretriz, que também se alinha às práticas de cobertura na internet, busca oferecer um relato mais completo e preciso dos eventos, permitindo uma compreensão mais aprofundada dos conflitos entre facções pelo público. Apesar das tentativas de contato com a Globo para comentários sobre a alteração, a emissora ainda não se manifestou sobre a mudança.

 


 

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