Beijo no carnaval pode aumentar risco de infecções; higiene e vacinas ajudam a reduzir
Matéria alerta que não existe beijo totalmente seguro e que o risco cresce com o número de parceiros, mas pode ser minimizado com cuidados e calendário vacinal em dia
16/02/2026 às 16:07por Redação Plox
16/02/2026 às 16:07
— por Redação Plox
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Com a proximidade do carnaval, os beijos se tornam parte da festa para muita gente. Mas, mesmo trazendo benefícios como movimentar músculos, gastar calorias e liberar hormônios, o ato também pode abrir caminho para alguns riscos à saúde.
O beijo favorece a troca de germes que entram no organismo pela boca ou pela saliva. Além disso, doenças respiratórias, infecções causadas por vírus, bactérias e fungos e algumas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) podem ser transmitidas nesse tipo de contato.
Não existe beijo 100% seguro – e quanto maior o número de bocas diferentes, maior a chance de contrair doenças. Por outro lado, manter a vacinação em dia e adotar cuidados básicos de higiene e observação de sinais no corpo e na boca da outra pessoa ajudam a reduzir riscos.
Veja, a seguir, algumas das doenças mais comuns transmitidas pela saliva ou pelo contato com a boca e quais sinais exigem atenção.
Imagem ilustrativa
Foto: Freepik
Mononucleose: a “doença do beijo”
A mononucleose infecciosa, popularmente chamada de febre ou doença do beijo, é causada pelo vírus Epstein-Barr e é transmitida pelo contato direto com saliva contaminada.
Os sintomas se assemelham aos de outras infecções virais e podem incluir febre, dor de garganta, dor ao engolir e dor nas articulações. A diferença é que a mononucleose costuma provocar inchaço no pescoço (nos gânglios) e nos olhos (sinal de Hoagland), além de manchas brancas na garganta (placas). A doença também pode ser assintomática.
O pico de incidência é maior entre pessoas de 15 a 25 anos, e, em quadros mais graves, pode haver inchaço no fígado ou no baço. O diagnóstico muitas vezes se confunde com amigdalite bacteriana, já que a garganta fica cheia de placas brancas e há febre, o que leva muitos pacientes a receberem tratamento inadequado, podendo agravar o quadro.
A maioria das pessoas se recupera em poucas semanas, com sintomas que costumam durar de 15 a 30 dias. Não há vacina ou tratamento específico contra o vírus: o cuidado é voltado ao alívio dos sintomas.
Após o fim do quadro, uma recomendação é trocar a escova de dente por uma nova, evitando qualquer risco de reutilizar um item que esteve em contato com a fase ativa da infecção.
Embora algumas doenças bucais não serem diretamente transmitidas pela escova de dente, existe uma pequena chance de que as bactérias ou vírus da doença possam ser transferidos para outra pessoa através do seu compartilhamento
Carolina Foot Gomes de Moura
Herpes labial: vírus que fica “adormecido”
Na herpes labial, o quadro costuma começar com coceira e ardência perto ou sobre o lábio. Em seguida, surgem pequenas bolhas agrupadas, que aumentam de tamanho e depois se rompem, formando uma ferida.
Trata-se de uma infecção viral transmitida pelo contato com a boca ou saliva de uma pessoa infectada. O primeiro contato com o vírus pode ocorrer ainda na infância, muitas vezes sem sintomas aparentes. Nesse caso, o vírus se instala no organismo e permanece inativo.
Ele pode voltar a se manifestar em situações diversas, como exposição intensa ao sol, fadiga física e mental, estresse emocional, febre ou outras infecções. A fase de maior transmissão acontece quando as bolhas liberam líquido e há ferida aberta. Nesse período, a orientação é evitar beijos.
O tratamento é feito com medicamentos orais ou pomadas, conforme indicação profissional, e busca reduzir a duração e a intensidade das crises.
Sapinho: candidíase oral e a atenção às crianças
A candidíase oral, conhecida como sapinho, é causada pelo fungo Candida albicans, que normalmente vive em equilíbrio na boca e no intestino.
O problema é mais frequente em crianças, que ainda têm o sistema imunológico em desenvolvimento. Nesse grupo, o risco aumenta pela troca e pelo compartilhamento de chupetas, brinquedos e outros objetos levados à boca.
Em adultos, a candidíase oral costuma ser mais preocupante em pessoas com baixa imunidade. A presença de placas cremosas e esbranquiçadas na língua, lábios, céu da boca e parte interna das bochechas é um dos sinais da infecção.
Entre adultos, a maior resistência do organismo tende a limitar a gravidade dos quadros, e o tratamento é, em geral, local, com produtos indicados por profissional de saúde.
Sífilis: quando a ferida aparece na boca
A sífilis é uma IST causada pela bactéria Treponema pallidum e pode se manifestar de formas variadas. Uma delas é o surgimento de uma ferida na boca.
Essa lesão é rica em bactérias e, ao beijar outra pessoa, pode transmitir a infecção. A doença tem diagnóstico, tratamento e cura disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Para prevenir a transmissão sexual, o uso de camisinha é a medida mais eficaz.
Feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias merecem avaliação médica. Mesmo quando não doem, alguns sinais podem indicar gravidade: sangramento, inchaço, mudança de cor ou de textura e a presença de massas ou nódulos. Nessas situações, é recomendado procurar atendimento, inclusive com cirurgião-dentista.
Outras doenças que podem “pegar” no beijo
Além das infecções diretamente ligadas à boca, o contato próximo – seja por beijo ou abraço – também facilita a transmissão de outras doenças infecciosas, como gripe, catapora (varicela), sarampo, caxumba e Covid-19.
Todas essas doenças são imunopreveníveis, ou seja, contam com vacinas disponíveis tanto no SUS quanto na rede privada. Manter o calendário de vacinação em dia é uma das principais formas de curtir o carnaval com mais segurança, reduzindo o risco de transmissão e complicações.