Fórum em Londres patrocinado pelo Master reuniu ministros do STF e diretor da PF e reacende debate em Brasília
Evento jurídico ocorreu de 24 a 26 de abril de 2024 e voltou ao centro das discussões após a PF citar a participação de Dias Toffoli em pedido de suspeição; permanecem questionamentos sobre transparência de despesas
16/02/2026 às 10:04por Redação Plox
16/02/2026 às 10:04
— por Redação Plox
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Um fórum jurídico realizado em Londres, em abril de 2024, voltou ao centro do debate em Brasília após a revelação de que sua programação reuniu ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. O encontro, patrocinado pelo Banco Master, ocorre em meio ao inquérito que investiga suspeitas envolvendo a instituição financeira e à tentativa da PF de afastar o ministro Dias Toffoli da relatoria do caso no STF.
Cobrança formal a Andrei Rodrigues (foto) expõe tensão institucional entre o gabinete de Dias Toffoli e a PF
Foto: Tom Costa/MJSP
Encontro em Londres e presença de autoridades
O evento em questão é o “10º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias”, realizado de 24 a 26 de abril de 2024, em Londres, com patrocínio do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
Segundo a apuração citada, a programação do fórum incluía os ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Também constavam autoridades como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e representantes do Executivo e do Legislativo.
A presença de Toffoli em um evento patrocinado pelo Banco Master foi apontada pela PF em uma arguição de suspeição no inquérito que envolve a instituição. As reportagens destacam, porém, que o relatório da corporação não teria atribuído o mesmo peso à participação de outras autoridades que também estiveram no fórum.
PF questiona atuação de Toffoli no inquérito
Em 11 de fevereiro de 2026, a Agência Brasil informou que a PF solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição de Dias Toffoli como relator do inquérito sobre o Banco Master, após relatar a existência de menção ao ministro em mensagem encontrada no celular de Daniel Vorcaro. O conteúdo dessa mensagem está sob sigilo.
Na sequência, o STF redistribuiu a relatoria do caso. O ministro André Mendonça foi sorteado como novo relator depois que Toffoli deixou a condução do inquérito, em meio à crise institucional provocada pelo pedido de suspeição.
Dúvidas sobre custeio e transparência
Até a última atualização das reportagens que embasam esta apuração, não havia posicionamento público conclusivo da PF esclarecendo quem arcou com passagens e hospedagem do diretor-geral no evento em Londres. Essa segue como informação ainda em apuração.
O episódio alimenta questionamentos sobre a participação de autoridades em eventos patrocinados por empresas privadas, sobretudo quando a patrocinadora ou pessoas a ela ligadas são alvo de investigação ou têm interesses em processos em tramitação no Judiciário.
Pressão por regras mais claras
O caso aumenta a pressão por normas de transparência e prestação de contas sobre viagens, convites e atividades paralelas de integrantes de tribunais, órgãos de investigação e de controle.
Na prática, a controvérsia tende a reforçar cobranças por:
— divulgação detalhada de custeio de passagens, hospedagem e convites, bem como dos critérios para aceitá-los;
— padronização de condutas para autoridades de órgãos de controle e investigação em eventos patrocinados;
— mecanismos que reduzam ruídos institucionais entre PF, STF e Procuradoria-Geral da República em casos de grande visibilidade.
Próximos desdobramentos
A expectativa é que a atenção se concentre em duas frentes principais: o andamento do inquérito do Banco Master sob a relatoria de André Mendonça e eventuais esclarecimentos formais sobre o custeio e a participação de autoridades no fórum em Londres.
Esses pontos podem motivar pedidos de informação, questionamentos internos em diferentes órgãos e novas reportagens com documentos sobre a organização e o financiamento do encontro jurídico na capital britânica.