Paciente tetraplégico volta a mexer braços e dedo do pé após receber polilaminina, mostra vídeo
Homem de 58 anos, de Caraguatatuba (SP), aparece movimentando braços, mãos e um dedo do pé dias após aplicação da substância experimental; especialistas pedem cautela por se tratar de relato individual sem evidência clínica robusta
16/02/2026 às 15:23por Redação Plox
16/02/2026 às 15:23
— por Redação Plox
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Um novo caso envolvendo a substância experimental polilaminina, estudada no Brasil para tratar lesões na medula espinhal, ganhou destaque após a divulgação de um vídeo em que um paciente tetraplégico aparece movimentando os braços, as mãos e um dedo do pé após a aplicação. Mais um paciente tetraplégico mexe os braços e o dedo do pé após receber a polilaminina, em um momento em que o tratamento acaba de avançar para estudo clínico de fase 1. O episódio ocorre em paralelo ao anúncio, em janeiro de 2026, de que Ministério da Saúde e Anvisa autorizaram um estudo clínico inicial para avaliar a segurança da substância em casos de trauma raquimedular agudo.
O novo paciente que conseguiu mexer os braços e o dedo do pé, após receber injeção da polilaminina, tem 58 anos e é de Caraguatatuba (SP).
Foto: Fotos reprodução/Instagram
Vídeo mostra paciente voltando a mexer braços e dedo do pé
De acordo com publicação do site Só Notícia Boa, o paciente tem 58 anos, é morador de Caraguatatuba (SP) e sofreu uma lesão medular após uma queda durante o trabalho. A reportagem relata que o vídeo foi divulgado pelo neurocirurgião Bruno Côrtes, ligado ao Hospital Municipal Souza Aguiar (RJ), registrando o momento em que o paciente realiza movimentos após receber a aplicação.
Segundo o mesmo relato, o homem teria sido atendido em 17/12/2025 e recebido a injeção em 06/01/2026. Os primeiros sinais de melhora descritos teriam surgido poucos dias depois, com movimento em um dedo do pé e, posteriormente, movimentos nos braços e nas mãos.
Especialistas apontam, no entanto, a necessidade de cautela. Trata-se de um relato individual, divulgado em vídeo e redes sociais e repercutido por um site de notícias, o que não configura, por si só, evidência clínica robusta ou conclusiva. A própria reportagem menciona que alguns procedimentos ocorreriam “por ordem judicial”, o que sugere que parte das aplicações pode ter sido realizada fora de um protocolo clínico amplo, padronizado e previamente aprovado para pesquisa.
É a 2ª vitoria do jovem Luiz Otávio, que recebeu injeção de polilaminina, após ficar tetraplégico, e conseguiu mexer a ponta do dedo da mão, no MS
Foto: Fotos: reprodução/Instagram
Estudo clínico de fase 1 é autorizado por Ministério da Saúde e Anvisa
Em 05/01/2026, o Ministério da Saúde informou que, com autorização da Anvisa, terá início um estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina em pacientes com Trauma Raquimedular Agudo (TRM). Nesta etapa inicial, o foco é monitorar riscos e possíveis eventos adversos da substância, antes de qualquer ampliação para estudos voltados a eficácia em larga escala.
Segundo a nota oficial, a fase 1 incluirá cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos, todos com lesões agudas completas na medula espinhal torácica, entre T2 e T10, e indicação de cirurgia em até 72 horas após a lesão. Esses critérios definem um grupo bastante específico, adequado à natureza exploratória e de segurança desse tipo de ensaio.
A pesquisa é desenvolvida por uma equipe da UFRJ, liderada por Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália. A etapa representa um avanço regulatório importante, mas ainda inicial, no caminho para avaliar se a polilaminina poderá, no futuro, se consolidar como opção terapêutica para lesões medulares.
jovem de 24 anos, que ficou tetraplégico depois de um acidente em uma cachoeira no Espírito Santo, voltou a movimentar os braços após receber aplicação da polilaminina
Foto: Reprodução
Expectativa de pacientes e limites do conhecimento atual
Para pacientes com lesão medular e seus familiares, o caso do homem de Caraguatatuba reforça a expectativa em torno de terapias capazes de promover algum grau de recuperação motora em quadros de tetraplegia. A imagem de um paciente voltando a mexer braços e dedo do pé após a aplicação da polilaminina tende a ter forte impacto emocional e simbólico.
Ao mesmo tempo, fontes técnicas lembram que um estudo de fase 1 tem como objetivo principal avaliar segurança, e não comprovar eficácia definitiva. Resultados individuais, especialmente quando divulgados em vídeos, redes sociais ou decisões isoladas, precisam ser interpretados com prudência, pois não substituem ensaios clínicos controlados, com acompanhamento sistemático, grupo comparador e critérios padronizados.
Para quem busca acesso ao tratamento, as informações disponíveis indicam que a seleção de voluntários, os centros participantes e a forma de recrutamento dependem do desenho do ensaio e do patrocinador. Aplicações feitas “por conta própria” ou fora de centros habilitados podem expor pacientes a riscos adicionais e não contam com o mesmo grau de monitoramento de um estudo regulado.
Demanda por informação cresce nos estados
O relato atual envolve Caraguatatuba, em São Paulo, e o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, o que tende a ampliar a procura por esclarecimentos em diferentes regiões, especialmente em MG, SP, RJ e PR. Pacientes e famílias têm buscado saber quais serão os critérios de inclusão, em que locais o estudo será realizado e como acompanhar os próximos passos.
Esses detalhes ainda precisam ser divulgados de forma mais ampla conforme o projeto avance e a documentação oficial do ensaio, como registro e protocolo completo, seja disponibilizada. Até o momento, o detalhamento operacional e a lista de centros habilitados não aparecem de forma completa nas notas públicas consultadas.
O que acompanhar a partir de agora
Os próximos passos incluem observar a implementação do estudo de fase 1 anunciado por Ministério da Saúde e Anvisa, com definição dos centros, início do recrutamento e inclusão dos primeiros voluntários. A publicação do protocolo e do registro do ensaio será fundamental para confirmar critérios de participação, desfechos a serem medidos e cronograma previsto.
Também será importante ouvir especialistas independentes em neurocirurgia, reabilitação e pesquisa clínica para contextualizar o que relatos isolados de melhora motora, como o do paciente de 58 anos, podem ou não indicar. O objetivo é esclarecer à população os limites e as possibilidades reais da polilaminina neste momento, sem alimentar falsas expectativas, mas sem ignorar o potencial de uma linha de pesquisa que já começa a ser testada em ambiente regulado.