Mistura incorreta de produtos na piscina liberou gás tóxico e causou morte em academia de SP

Investigação aponta falhas no tratamento da água, ausência de registros obrigatórios e uso de responsável sem qualificação; caso é apurado como negligência e exposição a gases tóxicos.

16/02/2026 às 14:56 por Redação Plox

A morte de uma mulher após uma aula de natação em uma academia na Zona Leste de São Paulo foi provocada pela mistura incorreta de produtos usados no tratamento da piscina, o que levou à liberação de gás cloro, substância altamente tóxica e perigosa quando manipulada sem técnica ou proteção adequada.

No Fantástico deste domingo (15), especialistas do Instituto de Química da USP demonstraram, em experimentos controlados, como a combinação de produtos usados em piscinas pode gerar o gás perigoso.

Os produtos envolvidos no tratamento da água eram:

  • hipoclorito de cálcio, utilizado como desinfetante;
  • dicloro isocianurato, outro agente de cloração com função semelhante;
  • um ácido usado para regular o pH da água.

Quando qualquer um desses agentes de cloro entra em contato com um ácido — seja o regulador de pH ou outro produto ácido utilizado na limpeza — ocorre uma reação que libera um gás amarelo-esverdeado: o cloro gasoso.


Veja detalhes da investigação do caso da intoxicação na piscina da academia que provocou a morte de uma mulher

Veja detalhes da investigação do caso da intoxicação na piscina da academia que provocou a morte de uma mulher

Foto: Reprodução/TV Globo


Como age o gás cloro no organismo

O cloro gasoso, ao ser inalado, reage imediatamente com a água presente nas mucosas do corpo — nariz, garganta, boca e pulmões. Essa reação gera substâncias extremamente irritantes, com efeito semelhante ao de inalar água sanitária pura.

Segundo a explicação do professor Reinaldo Bazito, o contato com o gás:

  • provoca irritação profunda nas vias aéreas;
  • causa sensação de queimação;
  • pode levar a edema pulmonar;
  • e, em alta concentração, pode ser fatal.

Os especialistas ressaltam que, embora pequenas imprecisões possam ocorrer no tratamento rotineiro de uma piscina, um erro grave na manipulação dos produtos químicos pode ter consequências fatais.

Falhas no tratamento da piscina da academia

A investigação apontou que o responsável pelo tratamento da piscina não era um profissional qualificado, mas o manobrista da academia. Ele recebia instruções do proprietário à distância, por mensagens, sem técnica adequada e guiado “no olhômetro”.

Além disso, não havia controle formal das medições de pH e cloro, como exige a legislação. A ausência de registros pode ter contribuído para a mistura, em um balde, de produtos incompatíveis ou em quantidades totalmente inadequadas — exatamente o tipo de erro que, segundo especialistas, provoca uma liberação repentina e em grande volume de gás cloro.

Reação química e pânico na piscina

Testemunhas relataram que um balde próximo à borda da piscina começou a soltar uma fumaça amarelada e irritante, com aspecto semelhante ao observado nos experimentos realizados em laboratório. Pouco depois, os nadadores passaram a sentir:

  • ardência nos olhos;
  • queimação na garganta;
  • falta de ar;
  • e sensação de sufocamento.

A rápida propagação do gás em um ambiente fechado gerou pânico entre os frequentadores e levou à intoxicação grave de várias pessoas — entre elas Juliana Bassetto, que não resistiu.

Responsabilização e andamento da investigação

Os três sócios da academia — Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração — não aceitaram conceder entrevista. Em nota, seus advogados afirmam que os clientes permanecem à disposição das autoridades e confiam que a investigação seguirá de forma técnica, isenta e em observância às garantias constitucionais.

Na sexta-feira, a Justiça negou o pedido de prisão temporária dos empresários feito pela Polícia Civil. A apuração policial investiga o caso sob a perspectiva de negligência e exposição de frequentadores a gases tóxicos.

A legislação prevê que eles têm que ter um registro, com anotação, disponível para qualquer cliente, consumidor, aluno, com as medições do nível de pH, do nível de cloro, do nível de acidez da água, isso não existe. Eles assumiram completamente o risco de de expor as pessoas ao contato com gases tóxicos e o resultado, infelizmente, foi a morte da Juliana delegado Alexandre Bento

O adolescente de 14 anos que também estava na piscina e havia sido internado em estado grave recebeu alta na sexta-feira. Vinícius, marido de Juliana, deixou a UTI e o hospital neste domingo (15).

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