Planalto e bolsonarismo convergem ao ver Flávio Bolsonaro como aposta para manter a família no comando da direita
Entorno de Lula e dirigentes do PL interpretam a possível candidatura de Flávio em 2026 como estratégia para projetar 2030, conter Tarcísio de Freitas e preservar a liderança dos Bolsonaro na oposição
16/02/2026 às 09:28por Redação Plox
16/02/2026 às 09:28
— por Redação Plox
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A escolha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome do bolsonarismo para a disputa presidencial de 2026 vem sendo lida, tanto no entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto entre dirigentes do PL, como um movimento que mira para além da próxima eleição. A avaliação predominante é que a estratégia busca preservar a liderança da família Bolsonaro na direita até 2030 e conter a ascensão de outros potenciais protagonistas, em especial o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
O senador Flávio Bolsonaro
Foto: Créditos: Jefferson Rudy/Agência Senado
No Planalto e no bolsonarismo, uma mesma leitura sobre Flávio
De acordo com coluna do Estado de Minas/PlatôBR, um ministro próximo a Lula avalia que a disputa de 2026 tende a “projetar” nomes para a corrida presidencial seguinte, em 2030. Nesse cenário, mesmo que Flávio tenha mais dificuldade para ampliar apoios do que Tarcísio, sua candidatura é vista como forma de manter um Bolsonaro como principal referência da oposição e evitar que um aliado externo à família concentre o capital político da direita no próximo ciclo.
Entre dirigentes do PL e bolsonaristas, a interpretação segue direção semelhante. A leitura é que, ainda que o senador não vença em 2026, uma derrota apertada poderia consolidá-lo como nome competitivo para 2030, quando estaria em idade considerada favorável para nova tentativa ao Planalto.
Posicionamento do PL e recados do Centrão
No plano partidário, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, já vem tratando publicamente a candidatura de Flávio ao Planalto como viável e irreversível, segundo declarações reproduzidas pela imprensa, e reforça que o partido trabalha com o senador como principal aposta para a eleição de 2026.
Já no campo do Centrão, as conversas com Flávio têm sido acompanhadas de mensagens contra a radicalização e em defesa de um projeto considerado “responsável” para 2026. A sinalização é de que o apoio formal de legendas de centro pode depender do desenho político da campanha e do grau de polarização adotado.
Reconfiguração de espaços na direita e no Planalto
Do ponto de vista da direita, sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro, a estratégia em torno de Flávio pressiona o espaço de Tarcísio de Freitas como “plano A” de setores do centro e do mercado. O movimento tende a reposicionar o eixo do bolsonarismo em torno do sobrenome Bolsonaro, com Flávio como candidato e articulador, impactando alianças estaduais e palanques nesses dois estados-chave.
Para o Planalto, caso se consolide a leitura de 2026 como “ponte” para 2030, o governo Lula poderá calibrar sua atuação levando em conta não apenas o adversário imediato, mas também o formato da oposição para o próximo ciclo eleitoral.
Entre partidos do Centrão, a disputa interna na direita amplia o poder de barganha das siglas, que podem condicionar eventuais apoios a compromissos de governabilidade e moderação ou adiar definições até mais perto do calendário eleitoral.
Cenário em evolução e próximos movimentos
Nos bastidores, a tendência é acompanhar de perto os próximos passos do PL, como definição de agenda, alianças e coordenação de campanha, e verificar se Valdemar e lideranças regionais consolidam o discurso de “irreversibilidade” em torno de Flávio.
Outro foco é observar os sinais do Centrão — como União Brasil e PP — quanto a adesão, neutralidade ou apoio condicionado ao senador, especialmente após reuniões e manifestações públicas.
Além disso, interlocutores seguem atentos a eventuais reações de Tarcísio de Freitas e de seus aliados, seja por meio de agendas nacionais, aproximação com partidos ou sinalizações mais claras sobre seus planos para 2026 e 2030.
Parte dessas leituras é classificada como análise de bastidor e pode se alterar de acordo com pesquisas, composição de alianças e novos fatos políticos. O cenário é descrito como em evolução e sujeito a reavaliações constantes.