Piloto confessa à polícia envolvimento com menores e apresenta registros em motel com vítimas
Segundo a polícia, ele se aproximava das famílias para ganhar confiança, buscava adolescentes em diferentes locais e fazia ameaças e orientações para dificultar a identificação das vítimas
16/02/2026 às 10:54por Redação Plox
16/02/2026 às 10:54
— por Redação Plox
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Um piloto de avião preso em São Paulo nesta semana é alvo de uma investigação que revela um caso grave de violência sexual contra menores. De acordo com a polícia, Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos, se aproximava das famílias para ganhar confiança e, em seguida, passava a ameaçar as vítimas.
O programa Fantástico teve acesso aos detalhes da investigação e ao vídeo gravado ainda no aeroporto, no momento da prisão, em que o piloto descreve aos policiais o que mantinha no celular e como agia.
Piloto admite à polícia envolvimento com menores e mostra registros das vítimas no celular
Foto: Reprodução/TV Globo
Operação preparada no saguão de Congonhas
A prisão ocorreu na segunda-feira passada, durante uma operação coordenada no saguão do Aeroporto de Congonhas. Agentes se posicionaram em diferentes pontos do terminal até localizar o piloto na cabine de um avião.
Pega para mim seus objetos. Pede para acionar o piloto de emergência que ele está sendo preso, tá?
delegado responsável pela abordagem
Depois da abordagem, Sérgio foi levado para a sala da delegacia instalada dentro do aeroporto, onde respondeu a perguntas dos investigadores.
Questionado sobre o motivo da presença da polícia, ele disse que sabia por que estava sendo investigado e se dispôs a responder. Em seguida, admitiu ter saído com menores de idade e mostrou aos agentes conteúdos das vítimas armazenados em seu celular, além de explicar como conheceu uma delas.
Segundo o relato, ele conheceu uma das adolescentes por meio da avó dela. Em outro momento, ao ser indagado sobre o local de uma das gravações, afirmou que o vídeo havia sido feito em um motel em Suzano.
Para entrar nesses estabelecimentos sem levantar suspeitas, o piloto utilizava documentos verdadeiros de mulheres adultas. De acordo com a investigação, ele orientava as vítimas a usarem acessórios que dificultassem sua identificação por funcionários dos motéis.
Relatos colhidos pela polícia indicam que muitas das adolescentes não queriam praticar os atos nem serem filmadas, mas eram coagidas e controladas pelo suspeito. Imagens e registros das vítimas foram encontrados no celular do piloto.
Cruzamento de depoimentos, rotas e deslocamentos
Adolescentes que afirmam ter sido vítimas foram ouvidas na Delegacia de Repressão à Pedofilia. A equipe cruzou os depoimentos com registros de deslocamento do piloto e, segundo a polícia, os horários e trajetos coincidiam com as narrativas das jovens.
Embora morasse em Guararema, Sérgio circulava com frequência por São Paulo, principalmente nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos. De acordo com a investigação, ele usava os compromissos profissionais como justificativa para se deslocar até a capital e encontrar as vítimas.
Segundo apurações policiais, o piloto chegava a buscar adolescentes em casa ou até mesmo na escola. Para os investigadores, ficou evidente que os crimes eram cometidos em dias de trabalho, período em que ele também mantinha consigo as principais provas, como o celular.
A companhia aérea para a qual ele trabalhava demitiu o piloto. A defesa informou ao Fantástico que o caso tramita em segredo de justiça, e que, por razões legais e éticas, atuará com discrição.
Avó e conhecida são presas; há suspeita de rede maior
Além do piloto, a polícia prendeu a avó de duas adolescentes, de 53 anos, suspeita de permitir e até facilitar encontros entre o netas e o acusado. Uma terceira investigada, descrita como conhecida do piloto, foi detida em flagrante por armazenar fotos e vídeos envolvendo crianças e adolescentes.
As duas mulheres estão presas e, até o momento descrito pela reportagem, não tinham advogado constituído.
Marcas emocionais e suspeita de vítimas em outros estados
Além das netas da avó presa, a investigação identificou outras adolescentes, incluindo amigas de escola da filha de uma mãe que procurou a polícia após receber uma denúncia anônima. Há ainda a indicação de possíveis vítimas em outros estados, como o Espírito Santo, onde o piloto afirma ter conhecido uma das meninas cujos registros também estariam em seu celular.
A delegada responsável ressaltou o impacto duradouro dos abusos na vida das vítimas, que carregam sentimentos de culpa, dor e desvalorização do próprio corpo. Para os investigadores, as consequências psicológicas desses crimes se estendem pela vida adulta.
O piloto é casado e tem filhos. Segundo o relato apresentado na investigação, a esposa foi informada das suspeitas e reagiu em choque, afirmando que não reconhecia naquele comportamento a pessoa com quem mantinha um relacionamento. Informações relatadas com exclusividade pelo Fantástico.