Temer minimiza sátira em desfile que homenageou Lula no Carnaval do Rio
Acadêmicos de Niterói levou à Sapucaí uma encenação do impeachment, com Temer “roubando” a faixa de Dilma e personagem “Bozo” ligado a Bolsonaro; oposição fala em propaganda antecipada e TSE rejeitou pedidos para barrar a homenagem previamente
16/02/2026 às 15:50por Redação Plox
16/02/2026 às 15:50
— por Redação Plox
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O desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval do Rio de Janeiro, no domingo (15/02/2026), levou para a Marquês de Sapucaí uma encenação em que o ex-presidente Michel Temer (MDB) aparece “roubando” a faixa presidencial de Dilma Rousseff (PT). A apresentação também exibiu um personagem “Bozo”, associado a Jair Bolsonaro (PL), e provocou reação de lideranças da oposição, que voltaram a falar em propaganda eleitoral antecipada e em uso de recursos públicos.
Temer defende sátira política como parte do Carnaval
Foto: Cesar Itiberê/PR
Enredo destaca trajetória de Lula e revive impeachment
A Acadêmicos de Niterói abriu o Grupo Especial com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que reconstruiu a trajetória de Lula desde a infância e a migração para São Paulo até a chegada ao Planalto. Segundo a CNN Brasil, a comissão de frente e a narrativa do desfile incluíram a passagem de poder para Dilma Rousseff e, em seguida, a representação de Temer “tomando” a faixa presidencial, antes de a faixa ser entregue ao personagem “Bozo”, em referência a Bolsonaro.
O Poder360 descreveu a cena como uma reprodução cênica do impeachment, com um boneco representando Michel Temer tomando a faixa logo depois da simulação da posse de Dilma. A encenação reforçou a leitura do desfile como disputa simbólica em torno dos últimos ciclos de poder em Brasília.
Além do conteúdo alegórico, o desfile ocorreu em meio a críticas de adversários de Lula, que apontam possível conotação eleitoral em ano de disputa presidencial. A Associated Press destacou que a homenagem deu visibilidade ao presidente, mas também ampliou riscos jurídicos e políticos diante de suspeitas de campanha antecipada.
Temer e a sátira na Sapucaí seguem em apuração
Até a conclusão desta apuração, não foi localizada, nas fontes abertas consultadas, qualquer declaração direta de Michel Temer sobre o desfile de 15/02/2026 que confirme que ele tenha minimizado a sátira na Sapucaí. A presença do ex-presidente como personagem no desfile está confirmada, mas a reação pessoal de Temer ainda está em apuração.
O episódio, porém, já é explorado politicamente: a encenação em que Temer “toma” a faixa de Dilma reacende o debate sobre o impeachment e alimenta novas leituras sobre o processo que levou à saída da petista e à ascensão do emedebista ao Planalto.
TSE liberou desfile, mas manteve discussão em aberto
No campo institucional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou pedidos para impedir previamente a homenagem a Lula. De acordo com VEJA, a Corte decidiu por unanimidade que não cabia liminar para barrar o desfile, e a relatora indicou que eventuais ilícitos seriam analisados posteriormente, com o processo seguindo em tramitação.
Na prática, o TSE autorizou a realização do desfile, mas manteve aberta a possibilidade de avaliar, depois, se houve ou não irregularidade, como propaganda eleitoral antecipada. O caso pode voltar à pauta da Justiça Eleitoral a depender de novas representações e do entendimento dos ministros.
Repercussão política, eleições e recursos públicos
No debate político, a encenação envolvendo Temer, Dilma e a referência a Bolsonaro tende a ser apropriada por aliados e adversários de Lula como símbolo de um projeto de país. O enredo, que coloca Lula no centro e revisita o impeachment, deve seguir alimentando a disputa narrativa sobre o processo que marcou a política brasileira na última década.
Para o cenário eleitoral de 2026, a oposição já sinaliza um discurso de “palanque” na Sapucaí e promete judicialização, o que pode render novos capítulos no TSE e ampliar o desgaste público do governo em torno do uso de eventos culturais em ano de eleição.
O tema do financiamento também entrou no radar. Críticos associam a homenagem a repasses e patrocínios públicos, argumento usado para sustentar ações e representações. O Estado de Minas, por exemplo, relatou postagem de Romeu Zema ironizando o desfile, o que ampliou a repercussão política do caso inclusive fora do Rio de Janeiro.
Próximos desdobramentos
Os próximos passos envolvem acompanhar o andamento das ações no TSE e eventuais novas representações por propaganda eleitoral antecipada ou abuso de poder, monitorar se Michel Temer fará alguma declaração pública específica sobre a sátira em que “toma” a faixa de Dilma e verificar, com documentos e notas oficiais, a origem e o detalhamento de possíveis recursos públicos ligados ao desfile.
Nesse contexto, a folia na Sapucaí se transforma em mais um capítulo da disputa institucional e eleitoral em torno de Lula, do legado do impeachment de Dilma e do papel de Temer na transição de poder, com reflexos diretos na campanha de 2026.