STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
A família de Francisco das Chagas Fontenele, pedreiro de 56 anos, acusa a Polícia Militar de matar o trabalhador com um tiro de fuzil na barriga durante uma ação em um baile funk no Jardim Macedônia, região do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo. Segundo parentes, ele havia acabado de sair de casa para trabalhar quando foi atingido. A PM sustenta que seus agentes reagiram a disparos feitos por criminosos no local.
A operação terminou com sete pessoas baleadas e duas mortes. A perícia da Polícia Técnico-científica deverá indicar de quais armas apreendidas partiram os disparos que atingiram as vítimas e contribuir para esclarecer a dinâmica da ação.
Francisco da Chavas Fontinelle, de 56 anos, foi baleado durante ação da Polícia Militar em baile funk na Zona Sul de São Paulo
Foto: Reprodução
Parentes de Francisco contestam a versão dos policiais e afirmam que o pedreiro não estava envolvido no baile funk. Ele teria sido baleado ao atravessar a rua para ir trabalhar. Moradores relataram à TV que os policiais teriam chegado atirando, sem que houvesse disparos prévios contra os agentes.
No velório, familiares pediram esclarecimentos e punição ao responsável pelo disparo que atingiu o pedreiro. Eles reivindicam a limpeza do nome de Francisco e a identificação do policial acusado de efetuar o tiro. Para a família, a morte do trabalhador representa um caso de violência injustificável em meio à ação policial.
Imagens gravadas por parentes mostram policiais militares cercando Francisco após ele ser baleado e, em um primeiro momento, impedindo que fosse levado por familiares para um hospital. Depois, os próprios agentes aparecem ajudando a colocá-lo em uma viatura da PM. Ele chegou a ser levado a uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.
Francisco era casado havia seis meses, deixa quatro filhos, a esposa e duas netas. De acordo com familiares, ele será enterrado no Cemitério Jardim da Paz, em Embu das Artes. Parentes foram ao velório usando camisetas do clube para o qual o pedreiro torcia, em homenagem à vítima.
Além de Francisco, Kauan Gabriel Cavalcante Lima, de 22 anos, também morreu na ação, atingido por um tiro no peito. Ele estava no baile funk — conhecido como “pancadão” — quando ocorreu a suposta troca de tiros entre policiais militares e criminosos.
De acordo com a versão dos PMs, Kauan seria um dos dois jovens que teriam atirado contra os policiais. Eles afirmam que o rapaz estava em um veículo com placa adulterada e que teria sido o primeiro a disparar na direção da equipe.
Mais quatro pessoas — três homens e uma jovem, com idades entre 19 e 26 anos — foram baleadas durante o confronto. A jovem, de 23 anos, estaria na garupa da moto pilotada por Kauan. Segundo os policiais, um homem de 25 anos que também foi atingido é suspeito de ter participado do ataque contra a equipe. Com ele, a PM diz ter apreendido um revólver calibre 32, que será submetido à perícia.
No total, foram recolhidos doze cartuchos de fuzil para análise, além de dois cartuchos de calibre 32. Todo o material será periciado para tentar definir a origem dos disparos e vincular projéteis e estojos às armas apreendidas.
A perícia balística é considerada peça-chave para esclarecer se os tiros que mataram Francisco e Kauan partiram de armas de policiais ou de supostos criminosos. A expectativa é que os laudos da Polícia Técnico-científica façam o confronto entre munições, armas e demais vestígios recolhidos na cena.
As autoridades também devem analisar imagens de câmeras corporais usadas pelos policiais na operação, além de possíveis gravações feitas por moradores. Esses registros audiovisuais são vistos como fundamentais para reconstruir o passo a passo da ação, especialmente num contexto de versões divergentes entre PMs e testemunhas.
Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais sobre o estado de saúde dos demais feridos.
O caso foi registrado como resistência, homicídio decorrente de intervenção policial e tentativa de homicídio no 47º Distrito Policial (Capão Redondo). Em razão da suspeita de envolvimento de policiais militares nas mortes, a ocorrência será investigada também pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
O DHPP será responsável por reunir laudos periciais, depoimentos de testemunhas e imagens, além de avaliar os registros das câmeras corporais dos policiais. Paralelamente, foi instaurado um Inquérito Policial Militar para apurar a conduta dos agentes envolvidos na ação.
Nesse tipo de investigação, a definição de responsabilidades costuma depender do cruzamento entre evidências técnicas — como balística e vídeos — e relatos de policiais e moradores. Em meio às versões opostas, a família de Francisco insiste para que o caso seja tratado como morte de um trabalhador inocente em circunstâncias que consideram abusivas.
Enquanto aguardam o avanço das investigações civil e militar, parentes do pedreiro afirmam que pretendem seguir cobrando esclarecimentos públicos sobre os motivos do disparo, a forma como o socorro foi prestado e a atuação da PM no baile funk do Jardim Macedônia.