Petróleo se aproxima de US$ 105 com guerra na 3ª semana e incerteza no Estreito de Ormuz

Barril voltou a operar acima de US$ 100 em meio à volatilidade e ao prêmio de risco; fechamento do estreito retirou milhões de barris da produção e a AIE aprovou liberação recorde de 400 milhões de barris das reservas.

16/03/2026 às 06:25 por Redação Plox

O preço do petróleo voltou a superar com folga a marca de US$ 100 por barril nesta segunda-feira (16), com o Brent se aproximando dos US$ 105 em meio à terceira semana de guerra envolvendo EUA e Israel contra o Irã e ao aumento da incerteza sobre a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde escoa uma parcela relevante do petróleo comercializado no mundo.

Negociado em um ambiente de forte volatilidade, o Brent chegou a abrir o dia acima de US$ 106, segundo a Associated Press, antes de recuar levemente e operar “perto de US$ 105” por barril. O movimento reflete a combinação entre risco geopolítico elevado, dúvidas sobre a oferta física de petróleo e dificuldades do mercado em precificar a continuidade do conflito no Oriente Médio.


Imagem ilustrativa

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Foto: Freepik


Guerra no Golfo e o gargalo no Estreito de Ormuz

De acordo com relatos citados pela AP, países do Golfo registraram novos ataques atribuídos ao Irã, em um cenário em que o Estreito de Ormuz tornou-se o principal ponto de tensão. A rota, por onde circula diariamente um volume expressivo do petróleo global, enfrenta interrupções e risco elevado para o tráfego de navios-tanque, o que alimenta temores sobre falta de oferta em curto prazo.

A mesma cobertura aponta estimativas da consultoria Rystad Energy de que, desde o fechamento do estreito, mais de 12 milhões de barris de óleo equivalente por dia teriam saído de produção. O número ajuda a dimensionar o choque potencial de oferta e a pressão altista sobre as cotações.

Liberação recorde de estoques não dissipa tensão

Em resposta às disrupções ligadas ao conflito no Oriente Médio, a Agência Internacional de Energia (IEA) informou que seus 32 países-membros aprovaram, de forma coordenada, a liberação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas de emergência. Segundo a própria agência, trata-se da maior liberação já realizada desse tipo de estoque estratégico.

Mesmo assim, a análise da AP indica que o mercado segue marcado por forte incerteza quanto à circulação de navios e à efetiva disponibilidade de barris no curto prazo. Essa combinação mantém um prêmio de risco elevado embutido no preço do barril e reforça o caráter de crise energética com alcance global, com possíveis impactos sobre Ásia, Europa e também o Brasil.

Efeitos sobre combustíveis, frete e inflação

No Brasil, a alta do petróleo tende a pressionar os custos de importação e a formação de preços de derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação. O repasse ao consumidor, porém, depende de fatores como câmbio, nível de estoques, política comercial de distribuidores e refinarias, além do grau de concorrência no mercado interno.

O encarecimento do barril também pesa sobre o transporte de cargas. O diesel é insumo central do frete rodoviário, o que pode elevar custos logísticos e, em cadeia, impactar preços de alimentos e produtos industrializados. Esse efeito tende a ser mais intenso caso o petróleo se mantenha por mais tempo em patamar próximo ou acima de US$ 105.

Globalmente, energia mais cara costuma contaminar expectativas de inflação, pressionando bancos centrais e influenciando trajetórias de juros e câmbio. Em economias emergentes, como a brasileira, choques de petróleo em meio a um ambiente externo volátil podem amplificar a sensibilidade dos preços domésticos e do fluxo de capitais.

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