Senador cita supostos repasses do Banco Master a familiares de Moraes e Toffoli e pede CPI no Senado

Alessandro Vieira protocolou requerimento com 35 assinaturas para investigar possíveis vínculos envolvendo os ministros e Daniel Vorcaro, apontado como ex-controlador do Master; tema também é discutido na CPI do Crime Organizado

16/03/2026 às 18:14 por Redação Plox

A relação entre o caso Banco Master e familiares dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli voltou ao centro do debate político no Congresso após uma nova rodada de declarações e requerimentos no Senado. Parlamentares têm reiterado reportagens sobre contratos e participações societárias que envolvem parentes dos ministros e o conglomerado investigado, defendendo que os fatos sejam esclarecidos em comissões parlamentares — sem que isso represente, necessariamente, uma acusação formal de crime.

Senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado

Senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


Pressão no Senado por CPI e convocações

No Senado, o tema ganhou novo impulso a partir de duas frentes. Em 10 de março de 2026, a Agência Senado informou que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou um requerimento com 35 assinaturas para criar uma CPI destinada a apurar eventuais relações entre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, apontado como ex-controlador do Banco Master, liquidado por determinação do Banco Central, segundo o texto.

Paralelamente, em fevereiro de 2026, a CPI do Crime Organizado aprovou uma série de requerimentos relacionados ao caso. Os senadores decidiram encaminhar convites para ouvir Moraes e Toffoli e também avançaram sobre seus familiares: convite para a esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e convocação — com obrigação de comparecimento — para irmãos de Toffoli, além de pedidos de diligências e de quebras de sigilo vinculados a empresa associada ao episódio.

O assunto já vinha sendo explorado em discursos no plenário. Em 11 de dezembro de 2025, a Agência Senado registrou pronunciamento do senador Eduardo Girão (Novo-CE), que cobrou apuração e mencionou episódios noticiados envolvendo o caso Master e decisões do Supremo Tribunal Federal.

Foco em “repasses do Master” a familiares

O eixo da controvérsia política gira em torno de citações feitas por senadores a supostos “repasses do Master” e contratos envolvendo familiares de Moraes e Toffoli, baseados em reportagens e documentos que vêm sendo levados oficialmente às comissões do Congresso. Esses elementos são apresentados como fundamento para requerimentos de CPI, convocações e pedidos de quebra de sigilo, dentro da estratégia de ampliar a apuração parlamentar sobre possíveis vínculos entre o conglomerado financeiro e parentes dos ministros.

Embora não representem, por si, condenação ou imputação criminal, essas menções reforçam o debate sobre conflito de interesses, conduta de autoridades e percepção de imparcialidade de integrantes do Supremo, alimentando a pressão por esclarecimentos públicos no âmbito do Congresso.

Como fontes oficiais descrevem a apuração

De acordo com a Agência Senado, o requerimento de CPI apresentado por Alessandro Vieira afirma que o objetivo é apurar “a existência, a natureza e a extensão” de eventuais vínculos e possíveis reflexos institucionais. O texto ressalta que a CPI não teria como foco revisar decisões judiciais, mas examinar condutas e relacionamentos extrajudiciais à luz de deveres de probidade e transparência.

Já a Agência Brasil informou, em fevereiro de 2026, que os requerimentos aprovados na CPI do Crime Organizado se baseiam em notícias da imprensa. No caso de Moraes, o senador autor do pedido afirma que as circunstâncias relatadas “não configuram ilícito” por si só, mas mereceriam esclarecimento no contexto do caso Master. A mesma reportagem registra que a Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou um pedido para investigar supostas irregularidades envolvendo Moraes, sua esposa e o Banco Master, com manifestação do procurador-geral de que não identificou ilicitude “a priori” no contrato citado.

Efeitos políticos e institucionais

No Congresso, a pressão tende a se consolidar em dois trilhos principais: a tentativa de instalar uma CPI específica sobre o caso Master no Senado — que ainda depende de leitura em plenário para ser formalmente constituída — e a continuidade de oitivas, convites, convocações e diligências na CPI do Crime Organizado.

Na esfera pública, a insistência em apontar supostos repasses e vínculos contratuais amplia a discussão sobre os limites entre a atuação institucional de ministros do Supremo e as relações privadas de seus familiares. Ainda assim, grande parte do material em circulação está ancorada em reportagens e em pedidos de parlamentares, e não em condenações ou conclusões definitivas de órgãos de controle.

Para o leitor, o ponto central até o momento é a existência de uma movimentação formal — com requerimentos, convites, convocações e pedido de CPI — em torno de alegações de “repasses do Master” e relações de familiares de Moraes e Toffoli com o conglomerado, ao mesmo tempo em que órgãos como a PGR já se manifestaram, em ao menos um recorte, dizendo não ver ilicitude “a priori” em um dos contratos mencionados, conforme registrado pela Agência Brasil.

Próximos passos no caso Master

No plano legislativo, o futuro da CPI exclusiva sobre o caso Master dependerá dos trâmites internos do Senado, incluindo a leitura do requerimento em plenário para que a comissão seja instalada, como descreve a Agência Senado.

Enquanto isso, a CPI do Crime Organizado poderá dar sequência às oitivas, convites e convocações já aprovados, além de pedidos de informações e de quebras de sigilo relacionados ao caso. O avanço dessas medidas tende a manter em evidência o debate sobre eventuais repasses e contratos envolvendo familiares de ministros e o conglomerado ligado ao Banco Master.

Reportagens mencionam tentativas de contato com escritórios, gabinetes e partes citadas, nem sempre com retorno até a publicação. Novas manifestações dos envolvidos e de órgãos de controle podem alterar o quadro atual e influenciar tanto o andamento das CPIs quanto a percepção pública sobre o caso.

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