ICE diz à PF que soltura de Alexandre Ramagem nos EUA foi “decisão administrativa”

Ex-deputado e ex-chefe da Abin foi detido em Orlando e liberado sem fiança; órgão afirma que ele tem direito à permanência provisória enquanto tramita pedido de asilo político

16/04/2026 às 23:01 por Redação Plox

Autoridades do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) informaram à Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (16/4), que a liberação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem ocorreu por “decisão administrativa”. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

Na reunião, o serviço de imigração também afirmou que Ramagem tem direito à permanência provisória nos Estados Unidos. O ex-parlamentar entrou com pedido de asilo político. A expectativa de autoridades brasileiras, no entanto, era de que ele fosse deportado ao Brasil para cumprir a pena de 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado em 2022.


Ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo de Jair Bolsonaro (PL), Ramagem foi detido pelo ICE em Orlando, na Flórida, na segunda-feira (13/4), e foi solto dois dias depois.

Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista

Alexandre Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão por participação na trama golpista

Foto: Gustavo Moreno/STF


ICE relata liberação e permanência provisória

Segundo o relato feito à PF, a liberação de Ramagem foi definida de forma administrativa. A Polícia Federal não havia informado os motivos da soltura.

O jornal O TEMPO informou que entrou em contato com a PF e, até o momento, não obteve resposta.

Entenda o caso

Ramagem foi detido na segunda-feira (13/4) pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) e solto na quarta-feira (15/4). Condenado a 16 anos de prisão por envolvimento em tentativa de golpe de Estado, ele deixou o Brasil de forma clandestina em setembro do ano passado. Na época, segundo o texto, Ramagem já estava com o passaporte apreendido, mas manteve o passaporte diplomático.

De acordo com investigações citadas na matéria, o então deputado federal atravessou a fronteira com a Guiana e seguiu para os Estados Unidos, onde deu entrada no pedido de asilo político. O governo brasileiro formalizou um pedido de extradição no fim de 2025.

Vídeo nas redes e críticas à PF

Mais cedo nesta quinta-feira, Ramagem publicou um vídeo nas redes sociais em que afirmou que a detenção ocorreu por uma “questão migratória” e agradeceu ao governo de Donald Trump pela soltura.

Com as informações que eram trazidas, eles viram claramente que não era para eu sofrer aquele procedimento, muito menos estar preso. A minha liberação, então, acabou sendo administrativa, sem necessidade de qualquer pleito, qualquer procedimento judicial. Não houve nem pagamento de fiança, que é comum nesses casos migratórios. Ou seja, eu não apenas estou absolutamente em situação regular, como eu não estou me escondendo nos Estados Unidos. Meu endereço é conhecido da administração pública americana

Alexandre Ramagem

Em seguida, ele completou, no mesmo vídeo: “Aqui eu venho agradecer ao governo norte-americano, da mais alta cúpula da administração Trump”.

Segundo Ramagem, ele entrou nos Estados Unidos em setembro do ano passado “de forma perfeitamente regular, com passaporte válido, visto válido, sem condenação nenhuma” e, na sequência, fez o pedido de asilo.

O ex-parlamentar também criticou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pela nota divulgada pela corporação sobre sua detenção nos EUA e defendeu o afastamento dele do cargo.

Na ocasião, a PF divulgou um comunicado afirmando que “a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades policiais dos EUA”. Ainda conforme o texto, um policial federal teria denunciado o ex-chefe da Abin ao ICE.

Na publicação, Ramagem declarou: “Quem está demonstrando que pode estar sorrateiro aqui não sou eu. O adido da Polícia Federal que venha falar comigo de frente, pois eu não tenho nada a esconder”.

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