IBC-Br sobe 0,6% em fevereiro e registra quinta alta seguida, diz Banco Central
Indicador de atividade econômica desacelerou em relação a janeiro, mas teve avanço em agropecuária, indústria e serviços; na comparação anual, houve queda de 0,3%.
16/04/2026 às 09:30por Redação Plox
16/04/2026 às 09:30
— por Redação Plox
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O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta quinta-feira (16), registrou expansão de 0,6% em fevereiro, na comparação com o mês anterior. O resultado foi calculado com ajuste sazonal, método que permite comparar diferentes períodos ao reduzir efeitos típicos de cada época do ano.
Com o avanço de fevereiro, o indicador acumulou a quinta alta mensal seguida, segundo dados revisados. Ainda assim, houve desaceleração em relação a janeiro, quando o aumento havia sido de 0,86%.
Indústria se destacou em fevereiro, mostram dados do BC
Foto: Divulgação/SEBRAE
Indústria puxa alta; serviços e agropecuária também avançam
Na abertura por setores, o BC informou que, em fevereiro, houve crescimento em todas as frentes consideradas pelo IBC-Br:
agropecuária: 0,2%;
indústria: 1,2%;
serviços: 0,3%.
Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br mostrou retração de 0,3%, segundo o Banco Central.
No acumulado do ano, o indicador teve alta de 0,4%. Já em 12 meses até fevereiro, o avanço foi de 1,9%. Nesses dois recortes, o índice é calculado sem ajuste sazonal.
Juros elevados entram no radar da desaceleração
A desaceleração da atividade econômica em 2025 e ao longo deste ano é tratada como um movimento esperado, tanto pelo mercado financeiro quanto pelo Banco Central, diante do elevado nível da taxa de juros.
Definida pelo BC para conter pressões inflacionárias, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, em patamar considerado alto, apesar da redução recente.
O mercado financeiro estima crescimento do PIB de 1,85% em 2026, com nova desaceleração frente ao ano passado, quando a economia cresceu 2,3%.
"elemento necessário para a convergência da inflação à meta (de inflação, de 3%)".
O Banco Central também tem indicado que um ritmo menor de expansão faz parte da estratégia de desinflação, ao avaliar que isso é um "elemento necessário para a convergência da inflação à meta (de inflação, de 3%)".
Na ata da última reunião do Copom, realizada em março, o BC informou ainda que o hiato do produto segue positivo, sinalizando que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação.
PIB e IBC-Br: o que muda nos cálculos
O IBC-Br é frequentemente tratado como uma prévia do PIB, mas as metodologias são diferentes. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e o resultado oficial é divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Já o indicador do Banco Central incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e os serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda, que faz parte do cálculo do PIB do IBGE.
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros. Com maior crescimento da economia, por exemplo, pode haver mais pressão inflacionária, o que tende a dificultar a queda dos juros.