Lula critica reforma trabalhista de 2017 e diz que medidas ‘asfixiaram’ sindicatos
Presidente recebeu pauta das centrais sindicais com 68 reivindicações e orientou entidades a procurarem Gilmar Mendes sobre contratação via PJ; governo também enviou projeto para acabar com a escala 6x1
16/04/2026 às 07:15por Redação Plox
16/04/2026 às 07:15
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quarta-feira (14/4), no Palácio do Planalto, a pauta das Centrais Sindicais com 68 reivindicações voltadas ao período de 2026 a 2030. Durante o encontro, Lula criticou a reforma trabalhista de 2017 — aprovada no governo de Michel Temer (MDB) — e o fim do imposto sindical, afirmando que a medida buscou “asfixiar” o movimento sindical.
Presidente Lula recebe Centrais Sindicais no Planalto
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Críticas à reforma de 2017 e ao fim do imposto sindical
Muita gente acha que o movimento sindical morreu e por isso acabaram com o imposto sindical. Eles fizeram com vocês o que nós queremos fazer com o crime organizados. Se a gente quer acabar com crime organizado, temos que asfixiar a economia deles, enquanto tiver o dinheiro que têm, a gente não acaba. E eles trataram o sindicato assim, vamos asfixiá-los, deixá-los sem dinheiro e não conseguem se organizar, fazer panfleto, fazer protesto e vamos asfixiá-los. Mas os empresários não foram asfixiá-los, porque eles tem o Sistema S. Eles continuam fazendo o que sempre fizeram
Lula
Na avaliação do presidente, a reforma trabalhista levou à precarização e à “pejotização” do trabalho no Brasil, com retirada de direitos. Ele também afirmou que “não sabe o que vai acontecer no processo eleitoral” e pediu que as centrais mantenham a cobrança às autoridades.
Lula defende mobilização contra a “pejotização”
Ao abordar a contratação de profissionais como pessoas jurídicas (PJ), Lula defendeu que as entidades sindicais procurem o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)Gilmar Mendes, relator do julgamento que avalia se esse modelo de contratação é inconstitucional. Para o presidente, a “pejotização” traz impactos que vão além do trabalhador.
Recado político às centrais sindicais
Lula também disse que políticos “inimigos” dos trabalhadores estão “à espreita e não desapareceram”. No encontro, destacou ainda que “não é pouca coisa” o presidente da República recebê-los no Palácio do Planalto e tratar o chefe do Executivo como “companheiro”.
O presidente reforçou que a disputa política depende de correlação de forças e defendeu a construção de maiorias comprometidas com direitos sociais. “A política é feita de correlação de forças. Então é importante que vocês comecem a pensar em como que a gente faz para ter um Senado e uma Câmara com uma maioria comprometida com os direitos da maioria do povo brasileiro”, afirmou.
Projeto para acabar com a escala 6x1
Na reunião, Lula citou ainda o envio do projeto de lei que acaba com a escala 6x1 como o “pontapé” na luta pela retomada de direitos trabalhistas. A expectativa do governo, segundo o presidente, é votar a proposta em 90 dias.