Articulações em Minas reacendem debate sobre possível “Lulécio” em 2026

Hipótese em discussão envolve Rodrigo Pacheco ao governo com Lula e apoio informal a Aécio Neves ao Senado, apesar de resistências no PT mineiro

16/04/2026 às 14:06 por Redação Plox

A eleição de outubro em Minas Gerais pode trazer de volta um arranjo eleitoral que surpreendeu o estado há 20 anos. Em 2006, mesmo em campos opostos, o então governador Aécio Neves (PSDB) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viram surgir o chamado “Lulécio”, quando parte do eleitorado votou simultaneamente em Lula para a Presidência e em Aécio para o governo mineiro.

Naquele ano, Lula venceu a reeleição ao derrotar o tucano Geraldo Alckmin, enquanto Aécio conquistou o governo de Minas pela segunda vez, superando o petista Nilmário Miranda. Mesmo com as disputas nacionais e estaduais em lados opostos, os dois mantiveram uma relação cordial e evitaram embates durante o período eleitoral.

Foto usada pelo ex-juiz Serio Moro em decisão da Operação Lava Jato • Reprodução

Foto usada pelo ex-juiz Serio Moro em decisão da Operação Lava Jato • Reprodução


Possível repetição em 2026

Em 2026, a hipótese de um novo “Lulécio” ganhou espaço a partir de declarações de envolvidos, falas de aliados, negociações e alianças discutidas nos bastidores. O cenário em avaliação envolve o senador Rodrigo Pacheco (PSB), apontado como o preferido de Lula para disputar o Governo de Minas e funcionar como palanque do petista no estado.

Nas últimas semanas, também avançou a possibilidade de o deputado federal Aécio Neves ser apoiado — ainda que de forma informal — em uma disputa ao Senado Federal, em movimento associado ao campo de Pacheco. Oficialmente, tucanos e petistas reconhecem dificuldades para uma aliança formal entre PT e PSDB, mas lideranças que acompanham as conversas avaliam um arranjo de “apoio informal”. Se esse desenho se confirmar, parte do eleitorado poderia repetir a lógica: Lula para presidente, Pacheco para governador e Aécio para o Senado. *

Elogios e sinalizações públicas

Declarações recentes reforçaram a possibilidade de aproximação. Em entrevista à CNN Brasil na última terça-feira (14), Aécio, apesar de destacar divergências históricas com o PT, elogiou Rodrigo Pacheco e também a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata do PT ao Senado, Marília Campos.

Eu tenho uma relação de amizade e respeito pelo Rodrigo desde sempre, desde antes de ele entrar na vida pública. O Rodrigo sempre atuou no nosso campo político. Se elegeu senador apoiando meu ex-vice-governador Antonio Anastasia. É um quadro extraordinário da vida pública nacional. Só que hoje, ele avança para um campo, o campo petista, que sempre foi oposição ao PSDB. Os palanques regionais tem uma lógica própria

Aécio Neves

Na mesma entrevista, o deputado afirmou ver em Pacheco condições “pessoais, morais e políticas” para ocupar o governo de Minas e permitir que o estado volte a crescer. Sobre Marília Campos, Aécio disse manter uma trajetória de diálogo e citou parcerias realizadas em Contagem quando foi governador, além de mencionar que recebeu apoio de prefeitos do PT em campanha de reeleição.

Marília diz que Aécio “cabe” no palanque

Marília Campos também indicou espaço para a presença de Aécio em uma coalizão liderada por Lula e Pacheco. Na segunda-feira (13), durante evento em Belo Horizonte, ela afirmou que o tucano caberia no palanque mineiro de Pacheco. Antes de um evento de pré-campanha, ponderou que a definição sobre o segundo nome ao Senado e a vaga de vice deve partir do nome escolhido pelo partido para disputar o governo estadual.

Marília justificou a possibilidade citando que “posicionamentos políticos se transformam” e mencionou o próprio caso de Rodrigo Pacheco, eleito com base de direita e, depois, com atuação que ela classificou como democrática, avançada e progressista. No plano nacional, o presidente do PT, Edinho Silva, também sinalizou, dias atrás, interesse em discutir uma eventual aproximação com Aécio.

Resistência dentro do PT em Minas

Nos bastidores, porém, há resistência. Interlocutores ouvidos pela Itatiaia afirmaram ser impossível — ou até inadmissível — a hipótese de Aécio no mesmo palanque. Procurada, a presidente do diretório mineiro do PT, deputada estadual Leninha, disse que uma construção de chapa com a presença do tucano “não foi tratada” e avaliou que não há “ambiente favorável”.

Entre os entraves citados por lideranças petistas, está a articulação de Aécio com o ex-presidente Michel Temer (MDB) no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), apontada como obstáculo para qualquer diálogo.

Nas redes sociais, o deputado federal mineiro Rogério Correia (PT) fez críticas e rechaçou a possibilidade de aproximação, citando a atuação de Aécio no impeachment e atacando o tucano em tom duro.

Outras alianças improváveis no histórico recente

O noticiário político mineiro já registrou outras combinações eleitorais que misturaram campos diferentes. Em 2010, ocorreu o chamado “Dilmasia”, quando eleitores votaram em Dilma Rousseff (PT) para a Presidência e em Antônio Anastasia (então no PSDB) para o governo estadual.

Dois anos antes, em 2008, aconteceu um acordo considerado um dos mais surpreendentes das últimas décadas: o então governador Aécio Neves e o então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), se uniram e apoiaram Marcio Lacerda (então no PSB) para a Prefeitura. A coligação incluía oficialmente o PT, mas não o PSDB; ainda assim, Aécio e Pimentel fizeram campanha juntos por Lacerda em atos públicos e no horário eleitoral de rádio e TV.

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