Ex-presidente do BRB é preso em operação da PF que apura fraude ligada ao Banco Master

Paulo Henrique Costa foi detido na 4ª fase da Operação Compliance Zero; PF aponta recebimento de propina em negociação de compra barrada pelo Banco Central

16/04/2026 às 08:49 por Redação Plox

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (16/4), durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A investigação aponta que Costa conduziu a tentativa de compra do Master pelo BRB, negociação que acabou barrada pelo Banco Central (BC). Segundo a PF, há provas de que o ex-presidente do banco público recebeu propina de Daniel Vorcaro, ligado ao Master.

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso numa operação deflagrada pela Polícia Federal

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso numa operação deflagrada pela Polícia Federal

Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília


PF aponta pagamento de R$ 146 milhões em imóveis de luxo

De acordo com a apuração da PF que embasou a ordem de prisão, a suposta propina recebida por Paulo Henrique Costa somou R$ 146 milhões e teria sido paga por meio da transferência de seis imóveis de luxo. Dois dos imóveis ficam em Brasília e quatro em São Paulo. *

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, a serem cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo. O outro alvo de mandado de prisão é o advogado do Master, Daniel Monteiro.

BRB tem governo do DF como maior sócio

O BRB é uma sociedade de economia mista, de capital aberto, e tem o governo do Distrito Federal como maior sócio (71,92%). A instituição mantém agências em todo o DF e tem como principais clientes os servidores do governo local, além de atuação no Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Paraíba.

Da expansão do Master à escalada de dúvidas

O Banco Master, anteriormente chamado Banco Máxima, foi comprado por Daniel Vorcaro em 2018 e rebatizado em 2021. A instituição registrou forte crescimento, sustentado por uma estratégia de captação considerada arriscada. Nesse período, Vorcaro se apresentava como um investidor ousado, com diferentes apostas e ostentação de riqueza.

O Master adotou uma política agressiva de captação, oferecendo rendimentos de até 140% do CDI a quem comprasse papéis do banco, acima das taxas médias atribuídas a bancos pequenos, em torno de 110% a 120% do CDI.

Operações do banco com precatórios — títulos de dívidas de governos com sentença judicial definitiva — ampliaram as dúvidas sobre a situação financeira do Master. Segundo o texto, o banco emitia títulos em dólares e não conseguia captar recursos.

Negociação com o BRB e o veto do Banco Central

Sem admitir crise, Vorcaro passou a buscar um comprador. Àquela altura, a PF já investigava o Master e, principalmente, Vorcaro, a pedido do Ministério Público Federal (MPF). No início de 2025, tornou-se pública uma negociação do Master com o BRB.

Em 28 de março de 2025, o BRB anunciou a compra de grande parte do Master, com apoio do então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), descrito como o maior defensor do negócio. Mais tarde, com o escândalo no noticiário, veio a informação de que o escritório de advocacia de Ibaneis firmou um contrato de R$ 38,1 milhões, em maio de 2024, com o Reag, fundo de investimentos do Master investigado pela PF por participação no esquema do banco de Vorcaro e até por lavar dinheiro para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em setembro, o BC vetou a compra do Master pelo BRB, citando riscos elevados e inconsistências nos ativos do banco de Vorcaro. Em seguida, sob suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades, o Master foi liquidado pelo BC em 18 de novembro.

Liquidação do Master afetou 1,6 milhão de clientes e acionou o FGC

A liquidação do Master atingiu mais de 1,6 milhão de clientes e levou ao acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O processo foi descrito como a maior operação de ressarcimento da história do fundo, estimada em R$ 41 bilhões. O FGC protege até R$ 250 mil por investidor e oferece garantia em caso de falência de um banco associado.

No mesmo dia da liquidação, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, que revelou um esquema de fraudes que teria movimentado mais de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes. O BC identificou falhas na governança do BRB para detectar os créditos irregulares. No dia anterior à operação, Vorcaro foi preso.

Viagem a Dubai e acordo anunciado pela Fictor

Segundo o texto, Vorcaro embarcaria em um jatinho em Guarulhos (SP) com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e a PF apontou risco de fuga. Horas antes, a Fictor Holding Financeira anunciou a compra do Master, com aporte imediato de R$ 3 bilhões e participação de investidores dos Emirados, que permanecem desconhecidos.

A PF suspeita que Vorcaro soube previamente que seria preso e teria organizado a operação para justificar a viagem internacional. A defesa afirmou que ele tinha planos de voo para Dubai para encontrar compradores do Master. Já investigadores disseram que o plano apresentado para o avião indicava Malta, no Mediterrâneo.

O acordo anunciado por Fictor e Master previa a aquisição da totalidade das ações de Vorcaro e a mudança da denominação social da instituição financeira para Banco Fictor, mas dependia de aprovação do BC e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e foi inviabilizado com a liquidação do Master.

Menos de um mês antes de anunciar ter fechado o suposto acordo, o grupo Fictor transferiu R$ 30 milhões à Titan, holding de Vorcaro registrada em um paraíso fiscal. O texto afirma que extratos das contas da Fictor no Banco do Brasil, obtidos pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, mostram o pagamento feito em 23 de outubro de 2025.

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