MPRJ denuncia 10 PMs por invasão de domicílio e desobediência em operação na Maré

Gaesp aponta entradas em casas sem ordem judicial e irregularidades no uso de câmeras corporais em ação de janeiro de 2025 no Conjunto de Favelas da Maré

16/04/2026 às 20:33 por Redação Plox

Dez policiais militares foram denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp/MPRJ) por crimes como invasão de domicílio, descumprimento de missão e desobediência. Segundo o MPRJ, as condutas teriam ocorrido durante uma operação nas comunidades Nova Holanda e Parque União, no Conjunto de Favelas da Maré, em janeiro de 2025.

As denúncias foram encaminhadas à Auditoria da Justiça Militar. O MPRJ informou que as investigações começaram após testemunhas entrarem em contato com o plantão da ADPF 635 — Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 635, conhecida como ADPF das Favelas — mantido pelo órgão.


Dez policiais militares foram denuciados pelo Ministéro Público do Rio, por diversos crimes durante uma operação no Conjunto de Favelas da Maré, em janeiro de 2025.

Foto: Divulgação / PME RJ


Relatos apontam entradas em casas sem autorização judicial

Conforme o MPRJ, foram relatadas ocorrências envolvendo policiais lotados no Batalhão de Operações Especiais (Bope), que atuavam em uma operação do Comando de Operações Especiais (COE). As denúncias indicaram que os agentes teriam entrado em residências sem autorização judicial e fora das hipóteses legais, inclusive quando os moradores não estavam em casa.

O cabo Rodrigo da Rocha Pita, em diversas ocasiões, usou uma chave do tipo ‘mixa’ para abrir portas de imóveis e permitir o ingresso nos locais, inclusive acompanhado de outros policiais, entre eles o sargento Cláudio Santos da Silva

MPRJ

De acordo com o Ministério Público, em algumas dessas ações os agentes chegaram a surpreender moradores dentro das residências. A denúncia afirma ainda que, depois de entrarem nos imóveis, os policiais teriam utilizado os espaços “para fins particulares, incompatíveis com a atividade policial”, como descansar em sofás e camas, usar banheiros e consumir bebida encontrada no interior de um dos imóveis.

O MPRJ também apontou que, em alguns casos, os agentes teriam permanecido por períodos prolongados dentro das casas, apesar de estarem escalados para ações de incursão e estabilização.

Irregularidades em câmeras corporais são alvo de apuração

O MP informou que a investigação identificou irregularidades no uso das câmeras corporais. Segundo o órgão, policiais como Rodrigo Rosa Araújo Costa e Diogo de Araújo Hernandes são acusados de obstruir deliberadamente os equipamentos, fazendo com que registrassem apenas imagens de “tela preta”. Em outra situação, o cabo Jorge Guerreiro Silva Nascimento “teria direcionado a câmera de forma inadequada, impedindo a captação correta das ações realizadas durante a operação”.

O Gaesp/MPRJ denunciou ainda os sargentos Douglas Nunes de Jesus, Carlos Alberto Britis Júnior e Bruno Martins Santiago, o tenente Felippe Martins e o cabo Diego Ferreira Ramos Martins. Conforme o MPRJ, as denúncias incluem acusações de descumprimento de missão contra agentes que teriam deixado de executar as atividades para as quais estavam designados, permanecendo no interior de imóveis invadidos sem justificativa operacional.

Corregedoria da PM diz que instaurou procedimento

A Corregedoria-Geral da PM instaurou o procedimento “apuratório cabível” sobre a possível participação dos policiais denunciados. Em resposta à Agência Brasil, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que, após o término das investigações, o relatório foi encaminhado à Auditoria de Justiça Militar.

A nota afirma ainda que a Corregedoria instaurou o procedimento assim que tomou conhecimento do possível desvio de conduta, ocorrido em janeiro do ano passado. O texto também diz que o comando da corporação reafirma compromisso com a legalidade e a transparência e que não compactua com desvios de conduta, adotando medidas rigorosas quando os fatos são comprovados.

Como enviar denúncias ao MPRJ

As denúncias podem ser feitas por e-mail, no endereço [email protected], ou pelo telefone 21 - 2215-7003, que também está disponível no WhatsApp Business. Na página da ADPF 635, no site do MPRJ, é possível obter informações sobre os canais disponíveis, que recebem imagens, áudios, vídeos, geolocalização e documentos relacionados a possíveis ilegalidades.

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